'Guerra entre EUA e Irã terá apenas perdedores', diz analista
Para Nate Swanson, diretor de Irã no think tank Atlantic Council, a guerra entre Irã não terá vencedores, pois os dois lados sairão com grandes perdas do conflito.
"“Se — e é um grande 'se' — este for o fim da guerra com o Irã, será um exemplo impressionante de um conflito mal concebido e contraproducente”, diz Swanson, em uma análise divulgada pelo instituto. “Esta guerra não tem vencedores, apenas perdedores."
Swanson também foi assessor de políticas para o Irã no governo americano, nos governos de Joe Biden e Donald Trump. Ele avalia que, para os EUA, as principais perdas são os grandes danos à economia global, trazidos pela alta do petróleo e pela incerteza entre investidores.
Além disso, o conflito serviu para afastar ainda mais os americanos dos países europeus e do Golfo Pérsico. O presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou os líderes europeus a entrarem no conflito, mas ouviu um "não". Depois disso, Trump passou a criticar ainda mais a Otan, aliança militar entre os Estados Unidos e a Europa, e ameaçou se retirar da entidade.
Já os países do Golfo como Bahrein e Emirados Árabes, antes distantes dos conflitos na área, foram atacados pelo Irã por possuírem bases americanas, e poderão rever sua proximidade com os EUA.
Perdas do Irã
Para o analista, o Irã também ficará mais distante dos países do Golfo e ainda terá outros problemas a lidar.
“O Irã sacrificou suas relações com os países vizinhos do Golfo, continua a recorrer à força bruta para reprimir a dissidência interna e continua a ter dificuldades para atender às antigas reivindicações de seu povo”, diz Swanson.
“O regime pode até comemorar sua sobrevivência, mas suas perspectivas são sombrias", afirma.
O pesquisador avalia ainda que as negociações para o término do conflito, que estão em andamento, serão difíceis, pois as demandas do Irã, como a retirada completa das tropas americanas do Oriente Médio e o pagamento de reparações, são muito amplas.
"O resultado mais provável das negociações é uma versão ambígua de cessar-fogo que se mantenha indefinidamente, o que é melhor do que a alternativa [de guerra]", diz Swanson.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: