Guerra entre Rússia e Ucrânia faz quatro anos em cenário de estagnação e perdas
A invasão da Ucrânia pela Rússia completa quatro anos nesta terça-feira, 24, e o progresso tanto da guerra quanto das negociações de paz parece estagnado: o conflito na Ucrânia já dura mais que o envolvimento russo na Segunda Guerra Mundial.
Após anos de conflito, a guerra já se torna parte do cotidiano, de maneira mais intensa para pessoas que vivem próximas ao conflito, mas afetam inclusive quem vive em centros metropolitanos longe das trincheiras.
Sirenes de alerta e o medo de ataques permeiam o dia a dia de quem vive perto das linhas de frente, e reverberações econômicas afetam o cotidiano civil de todos, segundo relatos de agências internacionais.
Após rápida aquisição territorial pela Rússia nos primeiros meses do conflito, criando um corredor até a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, as linhas de frente gradualmente se solidificaram. Desde 2023, observadores e analistas estimam que Moscou conquistou apenas 1,3% de território ucraniano adicional.
Veja a guerra da Ucrânia em números, incluindo baixas, território adquirido e o dinheiro investido conforme o conflito de maior escala da atualidade completa seu quarto ano.
Prédio residencial atacado em Kharkiv, na Ucrânia, perto da linha de frente da guerra (Governo da Ucrânia/AFP) (Governo da Ucrânia/AFP)
A Rússia segue sofrendo fortes baixas, que incluem mortes, feridos e desaparecidos: de acordo com estimativas do mês passado pelo think tank Center for Strategic and International Studies (CSIS), forças russas sofreram, em média, mais de 26.000 baixas mensais, o que inclui feridos, desaparecidos e mortos, totalizando 1,2 milhão desde o início da invasão em 2022. Dessas, estima-se que 325.000 tenham sido mortes.
Do outro lado, o relatório estima que a Ucrânia tenha sofrido um total de 600.000 baixas, dentre as quais 140.000 foram mortes. Além disso, a Ucrânia também sofre de altas perdas entre os civis, seja por mortes ou migração. O órgão de monitoramento das Nações Unidas na guerra da Ucrânia (HRMMU, em inglês) acredita que 15.168 civis ucranianos foram mortos até então, e mais de 41 mil foram feridos.
“Esses números são extraordinários. Nenhuma grande potência sofreu um número sequer próximo a esses de baixas ou mortes em qualquer guerra desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou o CSIS em seu relatório.
Todavia, essas estimativas são de difícil confirmação, já que os números oficiais publicados pelos governos em Kiev e Moscou variam amplamente, com ambos os países apresentando dados que minimizam suas baixas enquanto maximizam as dos oponentes.
Território
Ucrânia denuncia ataques da Rússia horas após trégua de três dias decretada por Putin entrar em vigor (Yuriy Dyachyshyn/AFP) (YURIY DYACHYSHYN / AFP)
No ápice de sua expansão territorial, em março de 2022, a Rússia controlava cerca de 26% do território ucraniano, de acordo com imagens de geolocalização catalogadas pelo Institute for the Study of War (ISW), um think tank americano sediado em Washington.
Isso incluía a Crimeia e grandes partes das regiões de Luhansk e Donetsk, onde há uma forte concentração de separatistas a favor do controle russo.
Todavia, no mês seguinte, incursões ucranianas foram capazes de remover a Rússia de uma série de cidades, deixando os invasores no controle de 20% do território nacional.
Em agosto e setembro do mesmo ano, uma campanha ucraniana de ataque bem sucedida conseguiu forçar o recuo das forças russas ainda mais, resultando em cerca de 17,8% do território sob controle russo.
Pelos últimos três anos, as linhas de frente se mantiveram congeladas, com a Rússia sofrendo intensas baixas sem tomar territórios significativos. Atualmente Moscou conseguiu aumentar levemente sua ocupação territorial para 19,3%, a altos custos, tanto financeiros quanto em termos de pessoal.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (à esquerda), cumprimenta o presidente francês, Emmanuel Macron (à frente, no centro), enquanto o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer (segundo à esquerda), e o chanceler alemão, Friedrich Merz (à direita), observam do lado de fora do número 10 da Downing Street, após suas conversas no centro de Londres, em 8 de dezembro de 2025 (Chris J. Ratcliffe/AFP) (Chris J. Ratcliffe/AFP)
Os gastos militares da Rússia subiram de cerca de US$ 66 bilhões em 2021 para 102 bilhões de dólares em 2022, o ano da invasão.
No ano seguinte, Moscou investiu mais 109 bilhões de dólares, culminando em US$ 149 bilhões em 2024, segundo apuração do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI, na sigla em inglês).
Estimativas para os gastos militares da Rússia em 2025 variam, mas analistas concordam que, devido ao estado da guerra e da economia, os gastos na área devem cair em cerca de 15%:
“O financiamento para a guerra em 2025, incluindo empréstimos direcionados pelo Estado a fabricantes de armas, está a caminho de sofrer uma contração de 15% este ano”, disse para o jornal Al-Jazeera o economista da Universidade Harvard Craig Kennedy.
Além disso, o veículo Reuters foi capaz de verificar documentos sugerindo que Moscou cortará gastos de defesa em pelo menos 7% em 2026.
Por sua vez, gastos militares ucranianos também aumentaram, mas representam apenas uma fração das cifras russas; 6,9 bilhões de dólares antes da invasão em 2021, aumentando para US$ 41 bilhões no ano seguinte e US$ 65 bilhões em 2023 e 2024, de acordo com dados do SIPRI.
O orçamento de 2025 foi de cerca de 71 bilhões de dólares.
Grande parte desses gastos foram financiados pelos aliados da Ucrânia, como a Otan, União Europeia, e os EUA, apesar do presidente americano, Donald Trump, ter removido 99% do apoio americano ao assumir em janeiro do ano passado.
Dados do Instituto Kiel, que acompanha o suporte financeiro para Kiev, indicam que a ajuda monetária foi capaz de se manter pois o bloco europeu aumentou suas contribuições em cerca de dois terços – no ano passado, a Europa contribuiu cerca de US$70 bilhões, enquanto a contribuição americana caiu para US$ 400 milhões.
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