Guerra no Irã já reflete no varejo de luxo em Dubai

Por Marina Semensato 29 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Guerra no Irã já reflete no varejo de luxo em Dubai

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã já traz consequências para o varejo de luxo em Dubai. O fluxo de clientes em lojas de alto padrão caiu até 57% nas primeiras semanas do conflito, enquanto as vendas durante o Ramadã recuaram mais de 60% na comparação anual, segundo dados obtidos pelo Financial Times.

No Dubai Mall, principal centro de compras do emirado, a loja âncora da Bloomingdale’s viu seu movimento cair 45% em relação ao mês anterior. Na Harvey Nichols, no Mall of the Emirates, a queda foi ainda maior no período que antecede o Eid, uma das datas mais importantes para as vendas na região.

O recuo ocorre em um momento sensível para o setor, que tem encolhido em países como a China e em partes da Europa. Dubai se tornou, nos últimos anos, uma das poucas regiões de crescimento para o mercado global de luxo, o que compensou essa desaceleração.

Não é só o mercado de luxo que é afetado: o varejo tem peso direto na economia local. No terceiro trimestre de 2025, comércio atacadista e varejista responderam por 25,9% do PIB de Dubai.

A questão é que boa parte das compras em Dubai vem de visitantes da Rússia, China e Índia — ou seja, de turistas, cujo fluxo começou a cair com a escalada das tensões na área. A queda já é vista nas receitas: três varejistas italianos relataram recuo de 35% a 40% nas vendas desde o início da guerra. "Essas operações têm custos altos e precisam de volume constante. Se o turismo recua, o resultado vem rápido", disse um executivo do setor ao Financial Times.

Segundo o Morgan Stanley, a região de Dubai responde por cerca de 5% das vendas das grandes marcas, com mais da metade concentrada nos Emirados Árabes Unidos. A Richemont, proprietária da Cartier, e o grupo italiano Zegna estão entre as empresas mais afetadas, segundo o banco.

Parte da demanda, no entanto, tem sido redirecionada. Um diretor de uma varejista global afirmou ao FT que clientes do Golfo estão viajando para a Europa e concentrando compras em cidades como Londres. A Harrods, por exemplo, informou esperar que esses consumidores prolonguem a permanência no verão e disse estar otimista para os próximos meses.

Reflexos da guerra

Além da queda no consumo, o conflito começou a afetar a entrada de mercadorias no emirado. A restrição ao tráfego no Estreito de Ormuz, que concentra 20% do petróleo do mundo, tem contribuído para o atraso logístico — tanto pelos combustíveis, que encareceram, quanto pelo desvio das rotas marítimas.

Segundo a DHL, navios que chegam ao porto de Khor Fakkan enfrentam espera de 10 dias ou mais. Para manter o abastecimento, as empresas começaram a redirecionar as cargas por portos na Arábia Saudita e em Omã, com transporte rodoviário até Dubai.

Todos esses ajustes elevaram os custos das operações. Exportadores relatam falta de caminhões e aumento nas tarifa — em alguns casos, o custo adicional ultrapassou € 30 mil por envio. Tarifas adicionais por risco de guerra entre US$ 3 mil e US$ 5 mil por contêiner passaram a ser cobradas com frequência.

Além disso, algumas remessas destinadas ao Oriente Médio foram desviadas para países como Índia e Singapura. Um executivo do setor descreveu a situação ao Financial Times como um "verdadeiro pesadelo"

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