Guerra no Irã se espalha a mais países e EUA dizem estar 'apenas começando'
No quinto dia da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, os ataques estão sendo registrados em áreas cada vez mais distantes, como a Turquia e a costa do Sri Lanka.
A Turquia disse que um míssil disparado a partir do Irã, que teria o país como destino, foi abatido por sistemas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Foi a primeira vez que o país se envolveu no conflito desde então.
O país faz parte da Otan e uma agressão à Turquia pode levar ao acionamento do mecanismo de defesa da entidade, que prevê que os outros países ajudem qualquer membro que seja alvo de ataques. Isso poderia trazer mais países, especialmente da Europa, para o conflito. O ativamento do mecanismo, no entanto, não é automático e depende de conversas entre os países da Otan.
Navio afundado no Sri Lanka
Além disso, um submarino americano abateu um navio iraniano perto do Sri Lanka, no Oceano Índico. Segundo o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, a embarcação foi atingida por um torpedo disparado por um submarino dos EUA em águas internacionais.
O secretário afirmou que este foi “o primeiro afundamento de um navio inimigo por torpedo desde a Segunda Guerra Mundial”.
A embarcação iraniana afundou perto da costa do Sri Lanka, no Oceano Índico, segundo autoridades locais. O governo do país informou que equipes de resgate retiraram 32 pessoas do mar e recuperaram alguns corpos.
Hegseth não confirmou o nome do navio atingido. Mais cedo, porém, a Marinha do Sri Lanka havia informado que o IRIS Dena afundou no Oceano Índico com cerca de 140 pessoas a bordo.
EUA e Israel prometem mais ataques
Na manhã desta quarta, o secretário de Guerra dos EUA disse que o país "está apenas começando" e que novas ondas de ataque serão lançadas.
Hegseth afirmou que mais forças americanas estão chegando à região, que há um "suprimento ilimitado" de bombas a serem usadas e que espera que os americanos e israelenses tenham o controle aéreo completo dos céus do Irã em menos de uma semana.
"Esta nunca era para ser uma briga justa, e não é uma briga justa. Estamos batendo neles enquanto eles estão caídos", afirmou, em entrevista coletiva.
Do lado israelense, o ministro da Defesa, Israel Katz, disse que o novo líder supremo do Irã será "alvo de assassinato, não importa seu nome nem onde se esconda".
Um ataque no sábado, feito por Israel e pelos EUA, matou o líder supremo Ali Khamenei, e sua sucessão está em andamento.
EUA e Israel acusam o Irã de ser uma ameaça por tentar construir uma bomba atômica e fomentar grupos terroristas na região, além de culpar o governo do Irã pela morte de milhares de manifestantes durante protestos nos últimos meses. O Irã nega buscar uma arma nuclear e diz que seu programa tem fins pacíficos.
Houve, ainda, mais sinalizações de que os bombardeios poderão levar mais algumas semanas. Segundo o jornal Times of Israel, o exército “prevê pelo menos mais uma ou duas semanas de operações no Irã, durante as quais atacará outros milhares de alvos do regime iraniano”.
Israel também faz ataques ao Líbano, contra o grupo Hezbollah, aliado do Irã. Desde segunda-feira, ao menos 50 pessoas morreram e 335 ficaram feridas nos ataques israelenses contra o território libanês, segundo o Ministério da Saúde, um balanço divulgado antes dos bombardeios das últimas horas. Mais de 58 mil pessoas tiveram de deixar suas casas.
Irã diz que bloqueou estreito de Ormuz
O Irã segue com bombardeios na região. Nesta quarta, o país disse que assumiu o controle do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% das exportações globais de petróleo e gás.
O regime iraniano já havia dito que os navios não deveriam entrar na área. As principais empresas de navegação suspenderam as operações em Ormuz. O general Ebrahim Jabbari prometeu "incendiar qualquer navio" que tente atravessar o estreito.
Em resposta, Trump disse ontem que os Estados Unidos oferecerão escolta e seguro aos navios que transitam pela área.
Na capital do Irã, os ataques dos EUA e de Israel prosseguem. Em Teerã, os moradores estão enclausurados em suas casas ou fugiram da cidade de 10 milhões de habitantes. Fortes explosões sacodem com frequência a capital iraniana e provocam densas nuvens de fumaça, segundo jornalistas da AFP.
"Dormimos no chão, com a cabeça protegida (...) com uma distância igual das janelas do quarto e da sala, para ficarmos a salvo caso as ondas expansivas quebrem os vidros", conta Amir, de 50 anos.
A agência oficial iraniana Irna informou que 1.045 pessoas, entre civis e militares, morreram na ofensiva desde sábado, um balanço não confirmado por fontes independentes.
A guerra também afeta os mercados globais. O petróleo continuava em alta nesta quarta-feira, o que provocou uma queda expressiva das bolsas asiáticas, em particular em Seul, que perdeu 12%. Os mercados europeus operavam de modo estável, após duas sessões de baixa.
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