Guerra no Oriente Médio pode levar petróleo a US$ 108, diz estudo
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pode desencadear uma nova onda global de inflação em 2026, segundo estudo da Bloomberg Economics.
A análise aponta que a interrupção no fornecimento de petróleo com o fechamento de rotas marítimas estratégicas poderia elevar o preço do barril para até US$ 108.
Isso aumentaria os custos de energia, voltando a pressionar a inflação e colocando os bancos centrais diante de uma escolha difícil: subir os juros para segurar os preços ou evitar uma desaceleração mais forte da economia.
O choque nos preços de energia
Os sinais do conflito já estão indicando um agravamento da situação econômica global, especialmente no meio petrolífero, com a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita sendo fechada.
Além disso, o Catar interrompeu as operações na maior instalação de gás natural liquefeito do mundo. Tudo isso em meio à paralisação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do óleo no mundo.
O fechamento de Ormuz já provocou um aumento imediato nos preços do óleo e do gás, além de perdas nos mercados de ações.
É justamente a interrupção prolongada dessa rota que poderia elevar os preços do petróleo em até 80% em relação aos níveis anteriores à guerra, para US$ 108 por barril, de acordo com a pesquisa da Bloomberg.
Dilemas para os bancos centrais
A escalada nos preços do petróleo impõe, também, um desafio direto às autoridades monetárias, porque, se o barril atingir US$ 108, a inflação nos EUA poderia superar 3% até o fim de 2026, acima da meta de 2%.
Isso levaria a uma pausa nos cortes dos juros e poderia forçar novas altas, colocando o mandatário do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em uma situação delicada com o presidente Donald Trump, que quer taxas menores.
Os dados da Bloomberg Economics indicam, ainda, que o impacto no crescimento seria mais direto para a Europa e para o Reino Unido, especificamente, por estes serem importadores de energia.
O choque energético poderia reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) da área do euro em 0,6% e o do Reino Unido em 0,5%, enquanto a inflação nesses locais teria um impulso de cerca de 1,1 ponto percentual.
Já a China enfrentaria uma pressão adicional, pois é grande importadora de petróleo. Por se beneficiar de compras com desconto do Irã e da Venezuela, o país poderia ver sua inflação subir 0,8 p.p.
Rússia como principal beneficiária
O levantamento da Bloomberg Economics mostra, ainda, que um aumento de valores do petróleo poderia eliminar o déficit orçamentário russo, fornecendo ao Kremlin recursos adicionais para financiar a guerra contra a Ucrânia.
É improvável, ademais, esperar uma melhora rápida na relação do Irã com os EUA, mesmo com um possível desfecho para a guerra e mudanças no futuro político do país persa.
Caso um cessar-fogo seja alcançado e o petróleo retorne ao patamar de US$ 65 por barril, os riscos para a economia global poderiam ser mitigados, mas o cenário ainda é incerto, acrescenta o estudo.
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