Há 100 anos, Henry Ford adotou a escala 5x2 e ajudou a transformar o mundo do trabalho
A PEC que propõe o fim da escala 6x1 foi aprovada pela Câmara na última quarta-feira, 27, mas ainda passará pelo Senado. Enquanto o tema ainda é foco de discussão e divergências no Brasil, a escala 5x2, em que o funcionário trabalha cinco dias e folga dois, já foi adotada pela Ford há 100 anos.
Henry Ford (1863-1947), fundador da Ford Motor Company, implementou a escala de trabalho em maio de 1926.
“O país está pronto para a semana de cinco dias [de trabalho]. Seguramente é algo que deve se espalhar por toda a indústria. […] Já é hora de nos livrarmos da ideia de que é 'tempo perdido' o lazer dos trabalhadores, ou um privilégio de classe", disse o empresário em um discurso, como aponta uma apuração da BBC.
A partir daquele ano, o parque fabril da empresa passou a adotar a jornada 5x2, com 40 horas de trabalho semanal. A mudança representava um avanço em relação às normas da época. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) determinou, em 1919, um teto de 48 horas semanais.
Antes de adotar a medida em toda a empresa, Henry Ford testou o modelo em alguns setores, e a transição geral ocorreu de forma natural.
Para ele, além de um benefício trabalhista, a mudança contribuía para a eficiência operacional da equipe. A escala teria sido possibilitada pelo desenvolvimento dos maquinários, que reduziram o tempo de produção na fábrica.
A estratégia de Henry Ford
A decisão de Henry Ford de aumentar os salários dos trabalhadores estava ligada a uma estratégia empresarial mais ampla. O industrial acreditava na organização rigorosa da produção, baseada nos princípios da administração científica, que defendiam a padronização de processos, a divisão de tarefas e o controle preciso dos tempos e movimentos dentro das fábricas.
Esse modelo não se limitava ao ambiente de trabalho. Ford também entendia que a produção em massa dependia da existência de um mercado consumidor igualmente amplo.
A decisão da Ford ajudou a popularizar a semana de cinco dias de trabalho e influenciou mudanças que se espalhariam pelo mundo nas décadas seguintes. Após a adoção da escala 5x2 pela montadora em 1926, os Estados Unidos reduziram legalmente a jornada semanal padrão para 44 horas em 1938 e, dois anos depois, para 40 horas — exatamente o modelo defendido por Henry Ford. A iniciativa também ajudou a dar legitimidade à ideia de que jornadas menores poderiam coexistir com altos níveis de produtividade.
Com a expansão do modelo fordista após a Segunda Guerra Mundial, a semana de trabalho de cinco dias foi incorporada por diversos países e setores econômicos. Mais do que uma mudança na rotina das fábricas, a medida transformou a relação entre trabalho, consumo e lazer.
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