Haddad diz que São Paulo 'está ficando para trás' e critica gestão Tarcísio

Por Letícia Cassiano 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Haddad diz que São Paulo 'está ficando para trás' e critica gestão Tarcísio

Em meio a uma crise no ensino superior paulista, o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira, 28, que o estado “está ficando para trás”.

O ex-ministro da Fazenda e da Educação criticou a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em áreas como segurança pública, saneamento e educação.

Durante entrevista, Haddad afirmou que São Paulo, que chamou de “locomotiva do país”, não está crescendo nem gerando emprego.

“Nós estamos ficando para trás da Federação. São Paulo não está crescendo, não está gerando emprego. E a locomotiva do Brasil não pode ser o freio de mão puxado da política, da inovação, das políticas públicas”, disse.

Ao comentar as reivindicações dos estudantes e professores de universidades públicas, Haddad afirmou acompanhar “com alguma atenção” as denúncias sobre falta de verba, déficit de professores e precarização nas instituições paulistas.

Segundo ele, o perfil dos alunos mudou nos últimos anos, com mais estudantes vindos da rede pública, o que exige políticas de permanência estudantil.

“Essas pessoas têm dificuldade de permanecer na universidade sem algum programa de apoio”, afirmou, citando iniciativas como bolsas acadêmicas, restaurante universitário e moradia estudantil.

Haddad também criticou o que chamou de demora na implementação desses mecanismos de assistência e disse estar dialogando com colegas da Universidade de São Paulo (USP), onde é professor da FFLCH, para discutir possíveis soluções.

Privatizações e segurança pública no centro da disputa eleitoral

O ex-ministro aproveitou o debate para fazer críticas à política de privatização dos serviços de água e esgoto no estado. Segundo ele, há pressão do governo estadual para ampliar a privatização no interior paulista e, ao contrário do prometido, as tarifas estão aumentando.

Na área da segurança pública, o petista citou o alto índice de feminicídios no estado. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), São Paulo registrou 86 casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, um recorde na série histórica, representando uma alta de 41% em relação ao mesmo período de 2025.

Haddad afirmou que o combate ao feminicídio não é enfrentado com seriedade pelo governo estadual. “Um aplicativo a mais não vai resolver o problema do feminicídio”, disse, referindo-se ao app ‘SP Mulher Segura’.

O petista também criticou a falta de cooperação com o governo federal em ações contra o crime organizado. “Sem a cooperação da Polícia Federal, da Receita Federal, do COAF, você não consegue combater o crime organizado.”

Haddad também defendeu mudanças no financiamento das universidades estaduais paulistas diante da reforma tributária. Segundo ele, a autonomia universitária precisa deixar de depender apenas de decretos e passar a ter garantia constitucional.

O ex-ministro argumentou que o financiamento das universidades não deve ficar sujeito a mudanças ideológicas de governo e criticou declarações recentes do governador sobre a relevância do diploma universitário.

“No mundo inteiro o diploma universitário é relevante”, disse Haddad ao defender a ampliação do acesso ao ensino superior no país.

Hoje, o ex-ministro da Fazenda aparece atrás de Tarcísio nas pesquisas de intenção de voto. Com a alta aprovação do atual governador, a estratégia petista passa por "desconstruir" a imagem de "bom gestor" de Tarcísio para tentar tornar a eleição mais competitiva e colaborar com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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