'Heated Rivalry' da vida real: conheça o casal de rivais das Olimpíadas de Inverno

Por Da Redação 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Heated Rivalry' da vida real: conheça o casal de rivais das Olimpíadas de Inverno

Nesta sexta-feira, 13, estreia no Brasil a série viral "Heated Rivalry" no HBO Max. Sucesso de público e nas redes sociais, a trama é focada no romance e rivalidade esportiva de dois jogadores de hóquei no gelo, Shane Hollander e Ilya Rozanov.

Para quem se interessa por uma trama que combina esportes no gelo, competitividade e casais LGBT+, vale acompanhar no dia seguinte, 14, a decisão da competição feminina de skeleton nas Olimpíadas de Inverno 2026.

A atleta brasileira Nicole Silveira enfrentará sua esposa, a belga Kim Meylemans, na pista gelada de Cortina d’Ampezzo. Casadas desde agosto do ano passado, ambas são favoritas à medalha em uma das provas mais velozes e perigosas do programa olímpico.

A data também marcará, curiosamente, o primeiro Dia dos Namorados do casal após o casamento.

Quem é Nicole Silveira?

Nascida em Rio Grande (RS), na Praia do Cassino, Nicole Silveira trilhou um caminho improvável até o gelo.

Radicada no Canadá desde os sete anos, a atleta de 31 anos deixou para trás esportes como futebol, ginástica, rúgbi e até o fisiculturismo antes de se encontrar no skeleton, modalidade em que os atletas descem deitados em um trenó a velocidades que chegam a 140 km/h.

“Você é brasileira e está fazendo skeleton? Como assim? As pessoas me param e perguntam, e eu acho muito legal quando isso acontece. Eu digo que sim e explico que eu moro no Canadá, que eu tenho que viajar bastante para praticar a modalidade. (…) Eu tenho muito orgulho de poder levantar a nossa bandeira brasileira”, afirmou Nicole em entrevista ao Globo Esporte.

Enfermeira em um hospital pediátrico de Calgary, ela conciliou a profissão com o esporte mesmo durante a pandemia e iniciou no skeleton em 2017, após passagem pelo bobsled.

O crescimento foi rápido: três medalhas em etapas de Copa do Mundo, um quarto lugar no Mundial e a presença constante entre as melhores do ranking. Em Pequim 2022, terminou em 13º lugar, a melhor colocação da história do Brasil na modalidade.

Agora, Silveira chega à sua segunda Olimpíada mirando o pódio. A competição de skeleton feminino nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 será disputada ao longo de dois dias, com as baterias programadas para sexta-feira, 13 de fevereiro, e sábado, 14 de fevereiro.

As provas ocorrerão no Centro de Esportes de Trenó, em Cortina d’Ampezzo, palco tradicional da modalidade, onde as atletas realizarão quatro descidas ao longo da competição para definir as colocações no pódio.

“Acho que não existe um atleta que não pensa em medalha. Mas eu tento sempre focar de descida em descida e melhorar dentro de mim. (…) A competição é comigo mesma”, disse a brasileira ao GE.

Kim Meylemans

Do outro lado da rivalidade está Kim Meylemans, de 29 anos, uma das atletas mais consistentes do skeleton mundial.

Nascida em Amberg, na Alemanha, filha de pais belgas, ela começou no futebol antes de ser apresentada ao esporte de trenó ainda jovem. Após competir em eventos pela Alemanha, optou por defender a Bélgica a partir de 2018, tornando-se a primeira atleta do país no skeleton olímpico.

Meylemans disputou os Jogos de PyeongChang 2018 e Pequim 2022 e construiu uma carreira em ascensão, com títulos importantes no currículo.

Em 2024, foi vice-campeã mundial, campeã europeia e, na temporada 2025/2026, conquistou o título geral da Copa do Mundo de skeleton.

Em Altenberg, na última etapa antes da Olimpíada, garantiu o troféu com um terceiro lugar, enquanto Nicole terminou em 11º.

Rivalidade que acabou em casamento

Foi justamente no circuito internacional que a rivalidade esportiva virou parceria.

As duas se conheceram durante competições e se aproximaram durante a pandemia de covid-19, quando ficaram hospedadas no mesmo hotel. O relacionamento evoluiu e, desde 2023, também virou um projeto esportivo: o “Team BB”, junção de Bélgica e Brasil.

“A gente resolveu juntar o recurso que o Brasil tem para me dar e os recursos da Bélgica para montar um time mais forte. (…) Assim conseguimos ter nosso próprio técnico, nosso próprio equipamento, lâminas e preparador físico”, explicou Nicole ao GE.

Um post compartilhado por Kim Meylemans (@kimmeylemans)

O preparador físico das duas, o argentino Fernando Oliva, destaca o simbolismo da parceria. “Elas são um casal e, ao mesmo tempo, competem uma contra a outra, o que torna tudo ainda mais especial. O principal é que mostram que, acima de tudo, estão as pessoas, e não a rivalidade esportiva”, disse Oliva à AFP.

Apesar do discurso de união, a competitividade segue aflorada.

Em janeiro, na etapa da Copa do Mundo de St. Moritz, as duas dividiram o pódio: ouro para Kim, bronze para Nicole.

A brasileira comemorou, mas admitiu o conflito interno. “É difícil separar isso. O objetivo sempre é uma medalha de ouro, mas também as duas saírem felizes da competição. (…) Eu sou muito mais competitiva do que ela, então às vezes complica, mas a gente tenta separar”, afirmou ao GE.

Casadas desde agosto, em uma cerimônia civil em Calgary, Nicole e Kim veem a Olimpíada como espaço de afirmação.

Em publicação nas redes sociais, a atleta belga afirmou que competir na Itália casadas tem significado político, em meio a decisões do governo local que afetam a comunidade LGBTQ+. “Será muito especial competir ali como um casal casado e dar nossa contribuição ao casamento igualitário”, escreveu na publicação.

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