Heineken aposta em premium para driblar queda de consumo nas Américas
A Heineken reportou receita líquida de 6,7 bilhões euros no primeiro trimestre, alta anual de 2,8%, sustentada por aumento de preços e mix de produtos, com força do desempenho da Ásia e da África. O desempenho reforça a estratégia da companhia de focar em marcas premium e permitiu a manutenção da projeção de crescimento do lucro operacional entre 2% e 6% no ano.
O avanço da receita veio acompanhado de uma dinâmica mista em volumes. O volume total cresceu 1,2%, para 66,4 milhões de hectolitros, mas o volume consolidado, que exclui operações licenciadas, recuou 0,2%.
No Brasil, os volumes ficaram mais fracos ao refletir um ambiente de consumo pressionado. A operação no país seguiu a tendência das Américas, com queda de vendas.
Preços puxam volume
O crescimento do volume foi puxado pela alta dos preços. A receita por hectolitro subiu 3%, enquanto o efeito de preço e mix avançou 2,9%, refletindo reajustes e maior peso dos produtos premium.
Esse movimento compensou quedas em mercados relevantes. Nas Américas, por exemplo, o volume recuou 2,6%, pressionado por desempenho mais fraco no Brasil e no México, embora a receita tenha crescido 0,9% na região.
A estratégia premium continuou sendo o principal vetor de crescimento. O volume de produtos premium avançou 5,8% no trimestre, com destaque para a marca Heineken, que cresceu 6,9% em volume.
Outras marcas globais também contribuíram, como a Amstel e a Desperados, que tiveram alta de um dígito alto, enquanto o segmento de bebidas sem álcool e de baixo teor alcoólico expandiu dois dígitos.
Ao mesmo tempo, o segmento mainstream teve retração de 1,6%, mostrando uma migração gradual do consumo para categorias de maior valor agregado.
Ásia e África compensam
A Ásia-Pacífico registrou expansão de volume de 10,1% na Heineken, com destaque para o Vietnã, onde a receita cresceu na faixa de 20% e o volume avançou em torno de dois dígitos médios.
Na África e Oriente Médio, a receita subiu 9,7%, com forte crescimento em países como Etiópia.
Em contraste, a Europa teve queda de 1,8% no volume, impactada por mudanças regulatórias na Polônia, enquanto nas Américas o consumo mais fraco refletiu um ambiente de demanda mais pressionado.
Câmbio e custos no radar
A valorização do euro reduziu a receita líquida em 182 milhões de euros no trimestre, o equivalente a um efeito negativo de 2,8%. A companhia apontou, ainda, aumento na complexidade do comércio global e pressões inflacionárias.
O CEO da Heineken, Dolf van den Brink, afirmou que o ambiente global se tornou mais volátil, com impactos potenciais sobre custos e sentimento do consumidor.
No campo de alocação de capital, a empresa mantém um programa de recompra de ações de 1,5 bilhão de euros. Até 17 de abril, já haviam sido recompradas 1,48 milhão de ações na nova fase, somando 105,15 milhões de euros.
A companhia também segue executando sua estratégia "EverGreen 2030", com foco em mercados prioritários: cerca de 18 países que devem responder por cerca de 90% do crescimento futuro.
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