Home office pode levar casais a terem mais filhos, aponta estudo
O avanço do trabalho remoto pode influenciar diretamente a decisão de ter filhos. Um estudo internacional com mais de 11 mil adultos indica que a flexibilidade na rotina profissional está associada a níveis mais altos de natalidade, principalmente entre casais que adotam o modelo híbrido ou remoto.
A pesquisa, conduzida por acadêmicos do King’s College London, da Universidade Stanford e da Universidade Princeton, analisou dados de 38 países entre 2023 e o início de 2025.
Trabalho remoto e aumento da natalidade
Os dados mostram que pessoas que trabalham de casa ao menos uma vez por semana apresentam maior probabilidade de ter filhos ou planejar ampliar a família.
Entre casais em que ambos adotam esse modelo, a fecundidade é cerca de 14% maior em comparação com aqueles que atuam exclusivamente de forma presencial. Na prática, isso representa um aumento médio de 0,32 filho por mulher.
Flexibilidade na rotina familiar
A principal explicação está na reorganização do dia a dia. O trabalho remoto reduz o tempo gasto com deslocamentos e amplia o controle sobre horários, o que facilita o cuidado com filhos e a gestão das atividades domésticas.
Esse ajuste ajuda a reduzir o descompasso entre a jornada profissional e os horários escolares ou de creches. A possibilidade de adaptação também pode influenciar decisões como mudança de moradia e planejamento familiar.
Impacto além de incentivos financeiros
Os resultados indicam que a flexibilidade no trabalho pode ter efeito mais consistente do que políticas baseadas apenas em incentivos financeiros.
Nos Estados Unidos, o estudo estima que o trabalho remoto esteve associado a cerca de 8,1% dos nascimentos em 2024, o equivalente a aproximadamente 291 mil casos. O efeito permanece mesmo após o controle de fatores como idade, escolaridade e estado civil.
Apesar da expansão do home office, as taxas de natalidade continuam em níveis baixos em diversos países. O levantamento indica que a flexibilidade pode ter contribuído para desacelerar essa tendência, mas não foi suficiente para revertê-la.
Especialistas apontam que fatores como custo de vida, acesso a serviços de cuidado infantil e os desafios de conciliar carreira e família continuam influenciando essa decisão.
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