'Homem de Gelo' guarda micróbios vivos há mais de 5 mil anos

Por Vanessa Loiola 14 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'Homem de Gelo' guarda micróbios vivos há mais de 5 mil anos

O corpo congelado de Ötzi, conhecido como Homem de Gelo, continua revelando segredos mais de três décadas após sua descoberta nos Alpes entre a Itália e a Áustria. Um novo estudo identificou fungos e bactérias que sobreviveram por cerca de 5.300 anos no interior da múmia e que voltaram a se multiplicar quando analisados em laboratório.

A pesquisa foi publicada na revista científica Microbiome e conduzida por cientistas do Eurac Research, na Itália. Os resultados mostram que alguns microrganismos preservados pelo frio permaneceram em estado de dormência durante milênios, abrindo novas perspectivas para estudos sobre microbiologia, conservação de múmias, medicina e processos industriais de fermentação.

Os micróbios que desafiaram o tempo

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram amostras retiradas da pele, órgãos internos, água do degelo, gelo ao redor da múmia, solo da região onde Ötzi foi encontrado e também do ambiente onde o corpo é preservado atualmente.

O objetivo era diferenciar quais microrganismos já faziam parte do organismo do Homem de Gelo quando ele estava vivo e quais passaram a colonizar o corpo após sua morte.

Durante a investigação, a equipe conseguiu cultivar algumas bactérias e leveduras encontradas na múmia. Isso significa que esses organismos permaneceram viáveis apesar de terem passado milhares de anos submetidos a temperaturas extremamente baixas.

O que os cientistas encontraram na múmia de Ötzi

A análise identificou bactérias comuns da flora intestinal e da pele humana, além de microrganismos associados a infecções. Entre eles estão espécies como Staphylococcus aureus e Clostridium perfringens, conhecidas por causar doenças em seres humanos.

Os pesquisadores também encontraram leveduras adaptadas a ambientes frios, incluindo espécies como Glaciozyma watsonii, Mrakia robertii, Phenoliferia glacialis e Goffeauzyma.

Segundo os autores, algumas dessas leveduras podem ter sobrevivido graças à capacidade de permanecerem ativas em ambientes glaciais, resistindo às condições extremas que preservaram a múmia ao longo dos séculos.

Corpo da múmia Otzi - Foto: Eurac Research (Eurac Research)

Da pré-história para a medicina

Além de ajudar a compreender melhor a preservação de organismos em ambientes congelados, a pesquisa pode trazer informações relevantes para diferentes áreas científicas.

Os cientistas destacam que o estudo desses microrganismos pode ampliar o conhecimento sobre mecanismos de sobrevivência em condições extremas, resistência celular e evolução microbiana.

As leveduras adaptadas ao frio também despertam interesse por possíveis aplicações em processos de fermentação utilizados na produção de alimentos, bebidas e outros produtos biotecnológicos.

Quem foi Ötzi, o Homem de Gelo?

Ötzi viveu durante a Idade do Cobre e morreu há aproximadamente 5.300 anos. Seu corpo foi encontrado em 1991 por alpinistas nos Alpes de Ötztal, próximo à fronteira entre Itália e Áustria.

Graças às baixas temperaturas da região, a múmia preservou pele, órgãos internos, roupas, equipamentos de caça e até vestígios da última refeição consumida pelo homem pré-histórico.

Estudos anteriores mostraram que Ötzi tinha cerca de 45 anos, sofria de problemas articulares e morreu após ser atingido por uma flecha que lesionou uma artéria importante.

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