Hubble detecta galáxia 'quase invisível' dominada por matéria escura

Por Vanessa Loiola 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Hubble detecta galáxia 'quase invisível' dominada por matéria escura

Astrônomos identificaram uma galáxia tênue que pode ser composta quase totalmente por matéria escura, uma das substâncias mais misteriosas do universo. O objeto, chamado Galáxia Candidata Escura-2 (CDG-2), foi detectado com dados do Telescópio Espacial Hubble e pode conter cerca de 99,9% de matéria escura, segundo pesquisadores.

A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters. Caso novas observações confirmem os dados, a CDG-2 poderá se tornar uma das galáxias com maior concentração de matéria escura já identificadas.

A matéria escura representa a maior parte da massa do universo. Estimativas indicam que ela seja cerca de cinco vezes mais abundante que a matéria comum, responsável pela formação de estrelas, planetas e galáxias. Apesar disso, essa substância invisível não pode ser observada diretamente e é detectada apenas por seus efeitos gravitacionais.

Galáxia escura CDG-2

A CDG-2 está localizada a cerca de 300 milhões de anos-luz da Terra, dentro do Aglomerado de Perseu, um grande conjunto de sistema estelar. O objeto apresenta um brilho extremamente fraco, o que dificulta sua observação direta.

Esse tipo de estrutura é classificado como galáxia de baixo brilho superficial, uma categoria que possui poucas estrelas visíveis. Em alguns casos, a quantidade de matéria escura pode ser tão dominante que esses objetos se aproximam do conceito de “galáxias escuras”, estruturas que conteriam pouca ou nenhuma estrela.

Segundo os pesquisadores, a CDG-2 pode representar um exemplo próximo desse tipo de sistema cósmico.

Detecção das galáxias com múltiplos telescópios

Para identificar o objeto, os cientistas analisaram dados obtidos por três instrumentos astronômicos:

Durante a análise, os pesquisadores localizaram quatro aglomerados globulares, que são conjuntos compactos de estrelas antigas. Esses agrupamentos podem permanecer visíveis mesmo quando o sistema estelar ao redor possui brilho muito baixo.

A presença desses aglomerados indicou que existe uma grande quantidade de massa gravitacional na região. Como a galáxia tem poucas estrelas, os cientistas sugerem que essa massa seja composta principalmente por matéria escura.

Formação da galáxia

Os astrônomos acreditam que a CDG-2 tenha perdido o gás hidrogênio necessário para formar novas estrelas durante sua evolução. Esse processo pode ocorrer quando galáxias maiores removem o gás de sistemas menores próximos.

Sem matéria suficiente para continuar produzindo estrelas, o sistema estelar teria permanecido apenas com um halo de matéria escura e alguns aglomerados globulares.

Como resultado, a CDG-2 apresenta um brilho extremamente baixo. Estimativas indicam que ela tem apenas 0,005% do brilho da Via Láctea, galáxia onde está o Sistema Solar.

Descobertas sobre a matéria escura

Pesquisadores afirmam que novas observações serão necessárias para confirmar a quantidade de matéria escura presente na CDG-2. Um dos instrumentos que poderá ajudar nessa análise é o Telescópio Espacial James Webb, capaz de observar objetos muito distantes com maior sensibilidade.

A identificação dessa galáxia também sugere que outros objetos semelhantes podem existir em grande número no universo. O método utilizado na descoberta, baseado na busca por aglomerados globulares, pode ajudar cientistas a encontrar novas galáxias escuras nos próximos anos.

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