IA não para de se tornar mais valiosa, mas setor se preocupa com falta de interesse do público
Empresas de inteligência artificial têm investido em serviços aprimorados para clientes do corporativo, mas uma pesquisa recente apontou que a produtividade não foi tão afetada quanto o esperado. Um relatório do National Bureau of Economic Research (NBER, na sigla em inglês), organização dos Estados Unidos que estuda o cenário econômico local, publicado este mês diz que 80% das empresas consultadas revelaram que o uso de IA não alterou a produtividade ou número de funcionários.
Foram cerca de mil empresas entrevistadas para a pesquisa e, destas, 70% afirmaram usar IA na rotina. Entre os líderes das companhias, porém, o uso costuma ser de 1 hora e meia a cada semana; um quarto dos executivos disseram não utilizar a ferramenta para nenhuma tarefa corporativa. O cenário, como apontado pelo chefe-executivo da Nvidia, Jensen Huang, em entrevista a um podcast, é de receio que as críticas públicas sobre o uso de IA estejam afastando a tecnologia do mercado de trabalho.
A busca por tecnologia transparente para reverter o cenário hostil também tem alterado estratégias tidas como necessárias para o financiamento a longo prazo do setor. A Perplexity, que foi uma das primeiras a introduzir rodadas de anúncios nos próprios produtos, abandonou a forma de monetização completamente no início deste ano. A Anthropic detém o mesmo posicionamento, que difere da visão comercial da OpenAI para o ChatGPT como forma de triplicar a receita em 2026 e recuperar os gastos excessivos em desenvolvimento de produtos e parcerias.
Entre valores morais e de mercado
Os receios, entretanto, não atingem o valor de mercado das empresas que disparam enquanto líderes do setor. A Nvidia, altamente procurada pelos chips que abastecem o mercado de IA, registrou US$ 4,5 trilhões de capitalização na indústria e diversas startups estão em crescente desenfreada por apresentarem variações dos serviços prestados pelas multinacionais que dominam a tecnologia.
Ainda assim, o pânico com o avanço da IA é compartilhado até entre chefes do mercado. Em 2025, Bill Gates chegou a dizer que os humanos não seriam mais tão úteis para as empresas em um futuro próximo e que o rápido desenvolvimento da tecnologia substituiria trabalhos mais rápido do que o esperado. Dario Amodei, CEO da Anthropic, opinou que metade dos cargos de entrada em escritórios comuns não seriam mais preenchidos por trabalhadores.
Sam Altman, CEO da OpenAI, disse em uma conferência no início de fevereiro que não esperava tanta resistência por parte das pessoas para adotar ferramentas de IA nas indústrias culturais e econômicas. A virada para o uso de agentes multifuncionais tem sido pensada como estratégia para que o uso dos robôs inteligentes se torne mais viável no dia a dia de pessoas comuns; a Samsung, por exemplo, adicionará a IA da Perplexity como funcionalidade para os aplicativos integrados do ecossistema no futuro.
A "batalha das narrativas", como disse Huang, tem interferido também nas decisões políticas sobre o tema. Em meio a processos de regulamentação nos Estados Unidos e na Europa, empresas como OpenAI, Meta e Anthropic estão em caminhos diferentes para garantir uma boa reputação. Os discursos de Donald Trump contrários à regulamentação de IA são apoiados por líderes como Mark Zuckerberg e Greg Brockman, presidente da OpenAI, mas a Anthropic se posiciona no lado oposto para promover debates que favoreçam políticas de regulação e segurança nas plataformas.
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