Ibovespa abre semana em queda com pressão de Petrobras; dólar também cai

Por Ana Luiza Serrão 19 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa abre semana em queda com pressão de Petrobras; dólar também cai

O Ibovespa começa a semana com queda de 0,50%, aos 176,3 mil pontos, em uma sessão marcada pela divulgação de indicadores econômicos no Brasil e por cautela no cenário internacional. No radar dos investidores estão a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e as novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã, que seguem elevando as tensões geopolíticas. A imprensa iraniana, porém, informou que os EUA teriam enviado uma proposta de abertura temporário do Estreito de Ormuz, o que traz volatilidade ao preço do barril do petróleo. A commodity chegou a ser negociada acima dos US$ 110 entre ontem e hoje, mas voltava a operar em queda no final da manhã.

A Braskem lidera as perdas com queda de 5,24%, seguida pelas ações da Petrobras, caindo entre 1,87% e 2,30%, e da Prio, com -1,32%. A Vale e o Itaú Unibanco também operam no vermelho, registrando perdas de 0,38% e 0,13%, respectivamente. Na contramão, a Copasa se destaca na ponta positiva com alta de 2,98%, seguida pela Cosan, 2,27%, e Magazine Luiza, 1,91%.

Analista da Ciano Investimentos, Rafael Minotto ressaltou que o mercado segue cauteloso com as recentes recentes noticias de tensão entre Washington e Teerã. "Por outro lado, vejo que, tecnicamente, o Ibovespa entra em um campo de sobrevenda após vários dias de queda consecutiva. Ele já recuou 12% do topo, e é esperado que nessa região ele possa ganhar fôlego novamente."

O principal dado da agenda econômica do dia ainda está sendo digerido pelos investidores brasileiros. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a "prévia do Produto Interno Bruto (PIB)", registrou uma queda de 0,7% em março na comparação com fevereiro, considerando a série com ajuste sazonal. Ele "saiu mais fraco do que o esperado, trazendo alivio as taxas de juros que caem neste momento -0,85%", detalhou Minotto.

O desempenho negativo em março foi puxado, principalmente, pelas variações em serviços, com queda de 0,8%; indústria, -0,2% e agropecuária, -0,2%. Já o IBC-Br com exclusão da agropecuária apresentou baixa ainda maior, de 0,9% no mês. Apesar da queda em março, no acumulado de 12 meses o índice avança 1,3%.

Logo cedo, o boletim Focus do Banco Central trouxe a décima revisão consecutiva para o IPCA, agora em 4,92% ao final de 2026. As projeções para a Selic voltaram a piorar, agora com a taxa de juros a 13,25% ao final deste ano.

Petróleo sobe após Trump ameaçar o Irã

Já no domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou em sua rede social, a Truth Social, um novo recado duro ao governo iraniano, afirmando que "o relógio está correndo" e que o Irã "precisa agir rápido ou não sobrará nada", em relação às negociações sobre o fim do conflito, que começou no dia 28 de fevereiro.

Hoje há um impasse envolvendo o Estreito de Ormuz. O Irã mantém restrições na passagem marítima, enquanto os Estados Unidos seguem pressionando os portos iranianos. O temor de uma escalada militar voltou a mexer fortemente com o petróleo logo na abertura dos mercados.

A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) alertou para uma rápida redução dos estoques mundiais de petróleo. O UBS indicou, ainda, que as reservas globais podem cair para 7,6 bilhões de barris até o fim de maio caso a demanda siga forte, cenário que começa a levantar preocupações sobre escassez física de combustível, principalmente na Europa.

EUA tentam estabilizar apesar dos juros

Em Wall Street, os índices à vista abriram a sessão de segunda-feira operando perto da estabilidade, com o mercado em modo de espera após uma semana de recordes e o forte tombo sofrido na última sexta-feira, 15.

O S&P 500 sobe 0,1% e o Nasdaq Composite, 0,3%, enquanto o Dow Jones oscila em torno da linha de equilíbrio. Os investidores calibram as posições monitorando o recuo de cerca de 1% nos preços do petróleo e o estresse no mercado de renda fixa global.

Os rendimentos dos títulos de 30 anos do Tesouro dos EUA operam nas máximas em um ano, alimentados pela percepção de que a inflação resiliente sepultou qualquer chance de corte de juros no curto prazo pelo Federal Reserve (Fed), sob o comando de Kevin Warsh, mantendo o cenário de juros altos por mais tempo no radar.

Europa e Ásia caem com aversão ao risco

O cenário externo também leva volatilidade para bolsas europeias e asiáticas. Na Europa, o índice Stoxx 600 passou a subir 0,54%.

Já empresas ligadas ao setor aéreo sofreram com o temor de aumento nos custos de combustível. A Ryanair chegou a cair mais de 3% mesmo após divulgar crescimento de 40% no lucro anual, em meio às preocupações da companhia com uma possível disparada do querosene de aviação.

Na Ásia, o movimento também foi de cautela. Os investidores asiáticos ainda repercutiram o fim da cúpula entre Trump e Xi Jinping.

O Nikkei, do Japão, caiu 0,97%, pressionado pela alta dos rendimentos dos títulos japoneses. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,22%, enquanto o CSI 300, da China, perdeu 0,54%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 teve a pior performance da região, com queda de 1,45%.

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