Ibovespa acompanha NY e reduz perdas, mas segue em baixa de mais de 2%
O Ibovespa acompanha o movimento de recuperação parcial observado em Nova York e segue se afastando das mínimas do dia, mas ainda opera sob forte pressão nesta terça-feira, 3, marcada por intensa aversão ao risco nos mercados globais.
Às 15h50, o principal índice acionário da B3 recuava 2,47%, aos 184.637 pontos — depois de ter chegado a cair mais de 4% e se aproximar dos 180 mil pontos no pior momento do pregão. Dos 84 papéis que compõem o índice, 78 estavam em queda, três estáveis e apenas três em alta.
Entre os destaques positivos, além de parte das petroleiras, as ações da Raízen (RAIZ4) avançavam mais de 6%. Também operavam no campo positivo Braskem (BRKM5), com alta de 1,30%, e Vivara (VIVA3), que subia 1,23%.
As ações preferenciais e ordinárias da Petrobras (PETR4 e PETR3) mantinham leve valorização, de 0,10% e 0,04%, respectivamente, enquanto Marcopolo (POMO4) avançava 0,15%.
Bolsas de NY desaceleram perdas
No exterior, as bolsas de Nova York também desaceleravam as perdas. O índice Dow Jones caía 0,70%, o S&P 500 recuava 0,83% e o Nasdaq perdia 0,88% por volta das 16h, refletindo o aumento das tensões geopolíticas.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as Forças Armadas norte-americanas tiveram sucesso contra diversas defesas iranianas e que “praticamente tudo foi destruído” no Irã. As declarações foram feitas no Salão Oval da Casa Branca, antes de uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
Por que o Ibovespa recua?
O movimento mais intenso de queda visto no início do pregão refletiu a leitura de que o conflito pode se estender. Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o mercado passou a precificar um cenário mais prolongado de tensão no Oriente Médio.
"O mercado está sentindo que o conflito pode durar mais tempo, as falas do Trump mesmo corroboram com isso. Acho que há essa percepção de que pode durar semanas, o que é péssimo", afirma.
Segundo ele, o temor se agravou com o fechamento do canal do Estreito de Hormuz, que pode provocar um impacto inflacionário relevante no mundo. “Soma esses dois pontos e o mercado deu essa baqueada”, diz.
Na avaliação de Jucelia Lisboa, sócia e economista da Siegen Consultoria, o quadro é típico de aversão ao risco. "Em resumo, o que se vê é um movimento de aversão ao risco, com petróleo em alta, bolsas em queda e dólar forte", afirma.
Além do impacto imediato sobre os ativos financeiros, a disparada do barril acende um alerta adicional para o Brasil. “O avanço do petróleo representa risco direto para a inflação e pode afetar o início do ciclo de queda de juros, ao reduzir o espaço para cortes mais rápidos ou mais intensos da taxa básica”, diz.
No câmbio, o dólar seguia em alta frente ao real, mas bem abaixo da máxima do dia, quando chegou a R$ 5,3441. No mesmo horário, a moeda americana avançava 1,92%, cotada a R$ 5,265.
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