Ibovespa cai e se distancia dos 190 mil pontos com pressão de Vale após balanço

Por Da Redação 14 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa cai e se distancia dos 190 mil pontos com pressão de Vale após balanço

Após um pregão marcado por realização de lucros e aversão a risco, o Ibovespa começa a sexta-feira, 13, véspera de Carnaval, na tendência de queda, caindo 1,46%, aos 185.136 pontos.

Na última sessão, o principal índice da bolsa brasileira caiu 1,02%, aos 187.766 pontos, pressionado por pesos-pesados como Petrobras (PETR4) e grandes bancos, em sintonia com o tom negativo de Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq. O dólar avançou, chegando a R$ 5,20, acompanhando o movimento global de busca por proteção.

O pano de fundo foi um ambiente externo mais cauteloso, com investidores atentos aos dados de inflação nos Estados Unidos e a sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Hoje, o que movimenta o começo do pregão são as ações da Vale (VALE3), que caem 2,3%. Ontem a mineradora divulgou seu balanço, registrando prejuízo líquido atribuído aos acionistas de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025.

O resultado conta com os efeitos de uma baixa contábil (impairment) de US$ 3,4 bilhões referentes aos ativos de níquel da companhia no Canadá. Além disso, a linha final do balanço foi impactada por efeito tributário da ordem de US$ 2,8 bilhões.

Apesar disso, excluindo esses efeitos não recorrentes, a mineradora teria apresentado lucro líquido de US$ 1,464 bilhão, alta de 68% na comparação anual e queda de 47% em bases trimestrais — o que fez o mercado avaliar positivamente o balanço.

“A visão é positiva, porque o mercado foca, para além do prejuízo, na capacidade operacional. Afinal, os efeitos não recorrentes não afetam o caixa e nem a operação da Vale. Ela não está perdendo dinheiro, está apenas fazendo um ajuste contábil”, explica Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos.

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) manteve uma recomendação de compra para a Vale. A mineradora conseguiu entregar resultados que superaram as projeções do banco, sustentando o recente momento positivo de suas ações. A Vale gerou um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) anualizado de 9% no trimestre. O BTG prevê um rendimento de dividendos de 8,1% para o ano de 2026.

Entretanto, as análises mais otimistas não são o suficiente para sustentar a mineradora.

Ainda no contexto de conseguir mais pistas sobre as próximas decisões do Fed, a agenda desta sexta ganha relevância. O Bureau of Labor Statistics divulga o índice de preços ao consumidor (CPI).

Em dezembro, o CPI subiu 0,3% no mês e acumulou alta de 2,7% em 12 meses. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês, com alta anual de 2,6%.

O dado é central para as expectativas sobre a trajetória de juros americanos e tende a influenciar tanto as bolsas quanto o dólar e os rendimentos dos Treasuries.

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