Ibovespa cai mais de 1% e dólar sobe após Trump frustrar alívio com guerra
Após três sessões consecutivas de alta, o Ibovespa abriu as negociações desta quinta-feira, 2, em forte queda, refletindo uma piora significativa no ambiente externo e no apetite ao risco. Nos primeiros minutos do pregão, o principal índice da B3 já abriu em queda de mais de 1%. Às 10h26, recuava 1,31%, aos 185.490 pontos.
No mesmo horário, o dólar operava em alta frente ao real, subindo 0,35%, cotado a R$ 5,175, em um movimento típico de busca por proteção diante do aumento da aversão ao risco global.
O humor dos mercados foi diretamente impactado pelo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite desta quarta-feira, 1º. Em sua fala, Trump afastou a possibilidade de um cessar-fogo no Oriente Médio e indicou que os ataques contra o Irã devem se intensificar nas próximas duas a três semanas.
A sinalização elevou as tensões geopolíticas e interrompeu o movimento recente de alívio nos mercados. Em véspera de feriado no Brasil, o cenário contribuiu para uma deterioração relevante no apetite por risco por parte dos investidores.
Queda das bolsas globais e disparo do petróleo
Relatório da Eleven Financial aponta que os agentes financeiros iniciam o dia sob um ambiente de maior cautela, com queda sincronizada das bolsas globais e forte alta do petróleo. As bolsas asiáticas fecharam em baixa, enquanto, na Europa, os principais índices recuam de forma expressiva. Nos Estados Unidos, os futuros de Nova York também apontam para um pregão negativo.
No mercado de commodities, o petróleo voltou a disparar diante do temor de restrições na oferta global. O Brent voltou a superar os US$ 108, com alta superior a 7%, enquanto o WTI avançava cerca de 10%, negociado acima dos US$ 110 por barril.
Com a alta da commodity, as ações de empresas do setor petroleiro lideram os ganhos do Ibovespa. A Petrobras (PETR3 e PETR4) sobe quase 3%. Por outro lado, empresas de peso como Vale e grandes bancos, operam todas em queda.
Em seu discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos estão próximos de atingir seus objetivos militares, mas não descartou novas ofensivas. “Estamos no caminho para completar todos os objetivos militares da América rapidamente. Vamos atacá-los com dureza extrema. Nas próximas duas a três semanas, vamos levá-los de volta à Idade da Pedra”, disse.
O presidente também voltou a ameaçar as instalações energéticas do Irã caso não haja acordo, reforçando o tom agressivo da política externa americana. Apesar de projetar uma imagem de vitória, ele reconheceu que o país ainda mantém capacidade de resposta. O próprio comando do Irã já prometeu intensificar a ofensiva contra o país e Israel após o discurso de Trump.
"Avaliamos que o discurso foi pouco informativo sob a ótica de mercado, com forte viés voltado ao público doméstico e sem endereçar de forma clara os principais vetores de risco para os ativos globais", afirmou o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, em relatório.
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