Ibovespa chega a marca inédita, mas não bateu recorde histórico ainda: entenda

Por Letícia Furlan 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa chega a marca inédita, mas não bateu recorde histórico ainda: entenda

O Ibovespa já começou a semana a poucos pontos de encerrar um hiato de quase duas décadas. O índice está na iminência de renovar seu recorde ajustado pela inflação de 198.950,90 pontos, registrado pela última vez em 2008, segundo cálculos da consultoria Elos Ayta.

Na prática, o mercado brasileiro já superou sua máxima nominal e agora testa um patamar mais relevante: o ganho de valor real ao longo do tempo.

O fluxo estrangeiro consistente e a queda do dólar criaram um ambiente que favorece a valorização dos ativos locais, especialmente na leitura de investidores internacionais.  E o momento atual reúne duas condições raras, de acordo com o CEO da consultoria, Einar Rivero, que são o topo histórico nominal já superado e o recorde real ao alcance imediato.

Em março, o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira continuou positivo, surpreendendo o mercado diante de um ambiente de elevada volatilidade global com a eclosão da guerra no Irã. Segundo dados da B3, os investidores internacionais aportaram R$ 11,9 bilhões no mês, maior volume para um mês de março desde 2022, quando o fluxo foi de R$ 21,4 bilhões.

Os gringos responderam por 62,1% de todo o volume negociado na bolsa em março. Os dados da B3 mostram, contudo, que, embora os investidores internacionais tenham mantido aportes líquidos no país, o ritmo desacelerou de forma consistente ao longo dos últimos meses. Em janeiro, o saldo positivo foi de R$ 26,4 bilhões, enquanto fevereiro somou R$ 15,3 bilhões.

Ainda assim, no acumulado de 2026, o saldo líquido já atinge R$ 53,8 bilhões, a melhor marca de capital externo também desde 2022, quando o primeiro trimestre do ano somou R$ 65,3 bilhões em recursos estrangeiros.

As águas que rolaram

A distância entre os dois picos ajuda a dimensionar o ciclo. Desde 2008, o Ibovespa passou por eventos que comprimiram seu valor real por anos. Crise financeira global, recessão doméstica entre 2015 e 2016 e o choque da pandemia.

O ponto mais baixo ocorreu em janeiro de 2016, quando o índice caiu para 62.970 pontos em termos reais.

A volta aos níveis atuais não é apenas uma recuperação cíclica, mas a recomposição estrutural do mercado acionário brasileiro, após anos de reprecificação de risco.

Mas, se o topo em reais está próximo, o mesmo não vale para a métrica em moeda americana. O recorde do Ibovespa em dólares foi registrado em maio de 2008, aos 44.616 pontos. Hoje, o índice está em 39.284 pontos, o que implica uma alta adicional de 13,57% para atingir aquele patamar, ainda de acordo com a Elos Ayta.

Esse descompasso mostra que, apesar da recente valorização, o investidor estrangeiro ainda não recuperou totalmente o poder de compra observado no ciclo anterior.

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