Ibovespa descola de NY e fecha em alta; dólar cai para R$ 5,21

Por Clara Assunção 20 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa descola de NY e fecha em alta; dólar cai para R$ 5,21

O Ibovespa ganhou força ao longo da tarde desta quinta-feira, 19, e consolidou a alta no fechamento, destoando do desempenho negativo das bolsas americanas. O principal índice da B3 avançou 0,35%, aos 180.270 pontos, após oscilar entre 176.295, na mínima do dia, e 181.250, no ponto mais alto do pregão, com volume financeiro de R$ 37,9 bilhões.

No câmbio, o dólar à vista encerrou em baixa após uma sessão de forte volatilidade, influenciada por notícias sobre a guerra no Oriente Médio e decisões de política monetária das principais economias, em meio às preocupações com os impactos inflacionários da alta do petróleo.

Perto do fechamento, a moeda intensificou as perdas e renovou mínimas após declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre a atuação do país no conflito e no Estreito de Ormuz. O dólar caiu 0,59%, a R$ 5,2156, depois de oscilar entre R$ 5,2030 e R$ 5,3147.

O movimento dos ativos locais destoou do exterior, onde os principais índices de Nova York fecharam no vermelho. O Dow Jones recuou 0,44%, o S&P 500 caiu 0,27% e o Nasdaq perdeu 0,28%.

Parte da melhora doméstica veio com a desaceleração dos preços do petróleo, que também se afastaram das máximas intradiárias. O petróleo Brent, referência mundial, encerrou em alta de 1,18%, a US$ 108,65 o barril, depois de ter atingido a máxima de US$ 119,13 durante a madrugada. Já o petróleo WTI, parâmetro nos Estados Unidos, caiu 0,19%, cotado a US$ 96,14.

Na bolsa brasileira, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) registraram desempenho misto apesar do movimento do petróleo. As ordinárias (PETR3) subiram 0,48%, enquanto as preferenciais (PETR4) ficaram estáveis com ligeira queda de 0,04%.

A Vale (VALE3) também fechou em queda de 0,71%, mas parte dos grandes bancos passaram a subir como Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3).

Mais cedo, o movimento de deterioração dos mercados ganhou força ainda na véspera, após a intensificação do conflito no Oriente Médio. A ofensiva de Israel contra o campo de gás de South Pars desencadeou uma reação do Irã, que ampliou os ataques na região, incluindo ações contra alvos no Golfo.

A escalada elevou os temores sobre o fornecimento global de energia e levou o petróleo a tocar níveis próximos de US$ 119 por barril durante a madrugada.

Cautela global dos BCs sobre os juros

As incertezas em torno do conflito também influenciaram a comunicação de política monetária das principais economias.

O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros do país no intervalo de 3,50% a 3,75%., conforme esperado, mas adotou um tom mais cauteloso ao destacar os riscos inflacionários associados ao cenário global.

Na mesma linha, o Banco da Inglaterra (BoE) optou por não cortar juros e reforçou uma postura mais dura, sinalizando preocupação com a persistência das pressões inflacionárias — o que contribuiu para manter o ambiente global mais avesso ao risco ao longo do dia.

No Brasil, o mercado também repercute a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, sinalizando o início de um ciclo de afrouxamento monetário, ainda condicionado ao comportamento da inflação e ao cenário externo mais volátil.

O mercado também repercute os dados dos Estados Unidos, divulgados nesta manhã, e que mostraram que os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 205 mil na semana encerrada em 14 de março, abaixo das expectativas do mercado, o que reforça a resiliência da economia americana e sustenta a postura cautelosa do Federal Reserve em relação a cortes de juros.

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