Ibovespa despenca 2,25% e engata 4ª semana seguida de queda
O Ibovespa aprofundou as perdas ao longo desta sexta-feira, 20, e encerrou o pregão em queda firme, refletindo um ambiente de aversão a risco tanto no cenário externo quanto doméstico. O principal índice da B3 caiu 2,25%, aos 176.219 pontos, perdendo o patamar dos 177 mil pontos, com giro financeiro elevado de R$ 49,5 bilhões, impulsionado também pelo vencimento de opções sobre ações.
Na semana, o índice acumulou baixa de 0,81%, a quarta semana consecutiva de perdas na bolsa.
Ao longo do dia, o movimento negativo foi disseminado. Entre as blue chips, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuaram mesmo diante da alta do petróleo, com perdas de mais de 2%, em um movimento de realização de lucros. Já a Vale (VALE3) também fechou em queda de 1,41%, descolando da alta do minério de ferro no exterior.
Os grandes bancos acompanharam o mau humor do mercado, com quedas relevantes. As ações do BTG (BPAC11) recuou 4,30%, enquanto Santander (SANB11), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) também registraram perdas, ampliando a pressão sobre o índice.
Entre os destaques negativos, a Braskem liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 14,21%, seguida pelas ações da Cyrela, que também caíram com força após divulgação de resultados trimestrais. Na ponta positiva, poucos papéis conseguiram avançar, com destaque para Prio, que subiu 3,14% acompanhando o petróleo, além de Vivara e Yduqs.
O cenário internacional seguiu como principal vetor de pressão. A escalada das tensões entre Irã e Israel voltou a elevar a aversão ao risco global, diante do temor de um conflito mais amplo e seus impactos sobre a oferta de energia e a inflação global. Nesse contexto, os preços do petróleo avançaram, com o Brent superando os US$ 109 por barril, reforçando preocupações com os custos energéticos.
Além disso, crescem as expectativas de que os principais bancos centrais, como os dos Estados Unidos e da Europa, mantenham juros elevados por mais tempo, o que reduz a atratividade de ativos de risco, especialmente em mercados emergentes.
No cenário doméstico, o ambiente também contribuiu para o mau humor. Investidores monitoraram potenciais desdobramentos de uma possível delação premiada envolvendo Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, o que adicionou cautela adicional aos negócios.
Segundo operadores, a proximidade do fim de semana também intensificou o movimento de redução de posições, diante do risco de novas escaladas no conflito geopolítico.
Piora das expectativas para juros e inflação
Renato Reis, analista da Blue3 Investimentos, também observa que a queda da bolsa está diretamente ligada à piora das expectativas para juros e inflação, em meio ao cenário externo mais adverso.
"O movimento do Ibovespa está muito ligado a uma piora na expectativa de juros. Quando a gente olha para o DI Futuro, há uma alta relevante, refletindo expectativas de inflação mais elevadas. Com o prolongamento do conflito no Oriente Médio e a possibilidade de uma guerra mais longa, os preços do petróleo tendem a permanecer elevados por mais tempo, o que pressiona a inflação global", afirma.
"Com a inflação mais alta, o cenário de queda de juros se torna menos provável, o que impacta negativamente a bolsa. Além disso, a Petrobras, que tem grande peso no índice, sofre nesse contexto. Mesmo com o petróleo em alta, há a percepção de que a companhia pode ter que absorver custos, como no caso do diesel, em meio a pressões internas, o que reduz sua rentabilidade", acrescenta.
Segundo ele, esse descompasso ajuda a explicar o desempenho divergente dentro do setor. “Enquanto a Prio sobe acompanhando o petróleo, a Petrobras cai, o que é um movimento atípico, mas justificado por essas questões específicas”, diz.
Reis também destaca o impacto dos juros mais altos sobre empresas mais alavancadas e sensíveis ao ciclo econômico. "Companhias como a Braskem e construtoras tendem a sofrer mais nesse ambiente. No caso da Braskem, há uma combinação negativa: endividamento elevado, pressão nos preços dos petroquímicos e aumento no custo dos insumos, que acompanham a alta do petróleo".
"Esse conjunto de fatores ajuda a entender por que o Ibovespa vem acumulando quatro semanas seguidas de queda, em um cenário de guerra que não parece ser de curta duração e que segue pressionando os mercados globais", conclui.
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