Ibovespa fecha abaixo dos 189 mil pontos e tem pior semana do ano
O Ibovespa encerrou as negociações desta sexta-feira, 27, em queda de 1,16%, aos 188.786,98 pontos, após oscilar entre a mínima de 188.478,08 e a máxima de 191.005,02 pontos. Com o desempenho, o principal índice da B3 voltou a fechar abaixo dos 189 mil pontos e acumulou perda de 0,92% na semana — a pior de 2026 até aqui.
O volume financeiro somou R$ 35,5 bilhões no dia. Apesar da fraqueza recente, o índice ainda registra alta de 4,09% em fevereiro e avanço expressivo de 17,17% no acumulado do ano.
Dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 65 fecharam em baixa. Entre as maiores quedas estiveram as ações da Cosan (CSAN3) e da Natura (NATU3), que recuaram mais de 5%. Entre as blue chips, caíram os papéis da Petrobras, da Vale e dos grandes bancos.
A exceção ficou por conta do Bradesco, cujas ações foram as únicas entre os principais bancos a fechar no campo positivo, com alta inferior a 1%, em meio à repercussão da criação da Bradsaúde, novo conglomerado de saúde do grupo. A empresa nasce listada em bolsa a partir da reorganização dos ativos sob o guarda-chuva da Odontoprev, que já tem ações negociadas na B3 e é controlada pelo banco.
Entre as apenas nove altas do pregão, o destaque foi a Prio (PRIO3), que avançou 4,11%.
Euforia, ajuste e cautela
Para Rhuan Palma, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela FBNF, o movimento recente do mercado reflete uma combinação de euforia inicial e ajuste de expectativas ao longo do mês.
“Na primeira metade do mês, o mercado viveu um estado de euforia raramente visto. O índice acumulou dez recordes em menos de 45 dias de 2026, o que indica uma reprecificação mais ampla dos ativos, associada a mudanças em fluxo de capital e posicionamento dos investidores e não apenas um movimento especulativo passageiro”, afirma.
Segundo ele, o principal combustível veio do exterior. "Com uma rotação global de portfólios que elegeu o Brasil como destino preferido entre os emergentes, num cenário em que o dólar perdia força e a política de Trump nas tarifas tornava os mercados desenvolvidos menos previsíveis.”
Na sessão desta sexta, contudo, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação, veio acima do esperado e também pesou sobre o Ibovespa.
"O encerramento do mês trouxe uma surpresa desagradável no front local com o IPCA-15 de fevereiro subindo 0,84%, bem acima da expectativa de 0,57% do mercado, reacendendo discussões sobre o ritmo da flexibilização monetária e provocando abertura imediata na curva de juros futuros.”
Para março, a expectativa é de maior seletividade e volatilidade. “Na minha opinião, o fluxo estrangeiro continua sendo o principal motivo de alta do índice. O Brasil, como maior economia da América Latina, segue sendo o destino natural de capital em momentos de rotação global para emergentes e enquanto essa dinâmica se mantiver, a estrutura de alta preserva fundamento.”
Ele pondera, no entanto, que o cenário político deve ganhar peso gradualmente. “Esse tema ainda não domina a narrativa do mercado, mas vai crescer ao longo do ano e tende a aumentar a volatilidade estrutural no segundo semestre. Por enquanto, acredito que março deve ser um mês de consolidação, com potencial real de melhora para setores domésticos se o corte da Selic se confirmar e os dados de atividade não decepcionarem.”
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