Ibovespa fecha em alta de 1,35% com Petrobras e retoma os 188 mil pontos
O Ibovespa mostrou recuperação nesta quinta-feira, 19, puxado pelas ações da Petrobras e do setor bancário, em um pregão marcado por forte fluxo de capital externo. O índice fechou em alta de 1,35%, aos 188.534 pontos e o volume negociado chegou a R$ 28,8 bilhões.
Os papéis da estatal de petróleo avançaram em linha com a alta da commodity no mercado internacional diante do risco de ataque dos Estados Unidos ao Irã. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiram 2,62%, enquanto as preferenciais (PETR4) avançaram 1,67%.
Entre os bancos, o movimento também foi positivo. As units do BTG (BPAC11) avançaram 2,54%, assim como as ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3), que subiram 2,48%. O papel do Bradesco (BBDC4) também ganhou 2,01% e as units do Santander (SANB11) anotaram alta de 1,28%. As preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) subiram 1,17%.
A Vale (VALE3), por sua vez, terminou praticamente estável, com leve alta de 0,20%, em um dia sem o referencial do minério de ferro negociado em Dalian, na China.
De acordo com Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, a performance mais contida da mineradora está relacionada ao impacto do calendário chinês.
"A cotação da Vale está muito ligada à demanda da China, que entrou em feriado do Ano Novo Lunar nesta semana, se estendendo até a primeira semana de março. Com a queda da demanda chinesa, a valorização da companhia acaba sendo afetada no curto prazo", diz Praça.
Axia lidera ganhos e, GPA, as perdas
Entre as maiores altas do índice, os papéis da Axia Energia, antiga Eletrobras (AXIA6) lideraram com ganho de 6,94%, enquanto a AXIA7 avançaram 5,10%, reagindo à notícia de que a companhia pretende converter todas as ações preferenciais em ordinárias e migrar para o Novo Mercado da B3.
A Hapvida (HAPV3) ficou em segundo lugar, com alta de 6,62%, interrompendo uma sequência de nove quedas.
Na outra ponta, o GPA (PCAR3) liderou as perdas, com recuo de 9,82%, diante de temores sobre a situação financeira da companhia. A Raízen (RAIZ4) caiu 7,46%, enquanto Weg (WEGE3) recuou 3,78%. O Assaí (ASAI3) também figurou entre as maiores baixas do dia com recuo de 1,87%.
Esse recuo no varejo alimentar tem por trás movimentos específicos, segundo o diretor da ZERO Markets.
"Um dos concorrentes diretos do Assaí, o Carrefour, divulgou balanço positivo, expondo estratégias competitivas que afetam diretamente a companhia. Quanto ao GPA, que divulga resultado na próxima semana, já vemos forte especulação vendedora — pode ter havido vazamento de alguma informação antes da divulgação", afirma.
Para Praça, a alta do índice foi sustentada por fatores combinados. "A alta da Petrobras, impulsionada pelo petróleo, e a alta dos bancos, apoiada pelas expectativas de cortes de juros, contribuíram para o avanço do índice nesta quinta-feira. No geral, a temporada de balanços das empresas listadas vai bem, com resultados fortes, que ganham força com a perspectiva de um cenário de juros mais baixo no futuro", afirma.
Prévia do PIB e tensões geopolíticas no radar
Já Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, também atribui a forte alta do Ibovespa nesta quinta à queda do IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O indicador apontou queda de 0,2% em dezembro na comparação com novembro, desempenho ligeiramente melhor do que a retração de 0,4% a 0,6% prevista por analistas do mercado.
"Esse dado mostra que o Banco Central pode ter um caminho mais tranquilo para corte de juros agora a partir de março, sem que ele venha eventualmente ter uma perda de controle desse ciclo de afrouxamento, ou seja, ele ganha mais credibilidade e, como consequência, vimos essa queda do dólar para R$ 5,22, uma consequente melhora para apetite a risco doméstico", disse Barros.
Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, o resultado da prévia do PIB refletiu a alta de 2,3% no setor agropecuário e de 0,3% da indústria, enquanto os serviços caíram 0,3% e a arrecadação de impostos recuou 0,2%.
"Os dados podem ser interpretados positivamente sob o prisma da politica monetária, haja vista que reforçam a perspectiva de desaceleração do nível de atividade econômica com foco em seus componentes cíclicos, movimento que deve se concentrar especialmente na primeira metade do ano, abrindo espaço para um início seguro e consistente do ciclo de corte de juros por parte do Banco Central", afimrou Pizzani.
De acordo com Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, o crescimento da agropecuária e da indústria acima do esperado freou um recuo mais acentuado do índice.
"O IBC-Br de dezembro veio melhor que o esperado e o resultado anual de 2025 mostra expansão robusta de 2,5%, impulsionada pela agricultura, que cresceu 13,1%, e pelos serviços, com alta de 2,1%. Para 2026, projetamos acomodação da atividade, com crescimento entre 1,5% e 2,0%", disse o economista.
No exterior, os investidores monitoram a tensão entre Estados Unidos e Irã, após relatos de mobilização de tropas norte-americanas na região. Apesar de os temores sobre o impacto da inteligência artificial terem diminuído, o clima geopolítico sustenta os preços do petróleo.
O contrato do Brent para abril fechou em alta de 1,86%, a US$ 71,66 por barril na ICE, enquanto o WTI para março avançou 1,90%, a US$ 66,43 por barril na Nymex, atingindo a cotação mais alta desde agosto de 2025.
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