Ibovespa fecha em forte baixa, de 3,3%, a maior queda desde dezembro
O Ibovespa fechou esta terça-feira, 3, em forte queda, refletindo a intensificação da aversão ao risco no exterior em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O principal índice acionário da B3 recuou 3,28%, aos 183.104 pontos — distante da mínima intradiária de 180.518 pontos, mas bem abaixo dos 189 mil pontos com que iniciou o pregão.
Ao longo do dia, o índice chegou a cair mais de 4%, acompanhando o movimento negativo dos mercados globais. No fim da sessão, a maior parte das ações permaneceu no campo negativo, evidenciando o clima de cautela dos investidores.
Entre os poucos destaques positivos, a maior alta foi de Raízen (RAIZ4), que avançou 6,15%. Também fecharam em alta Braskem (BRKM5), com ganho de 3,24%, enquanto Vivara (VIVA3) encerrou no zero a zero, estável.
As petroleiras, que chegaram a sustentar o índice em momentos anteriores, inverteram o sinal ao longo do pregão e fecharam entre as 80 quedas do dia. Tanto as ações ordinárias quanto as preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) encerraram o dia em queda, com recuos de 0,44% e 0,74%.
O movimento não acompanhou a alta do petróleo no mercado internacional. Pela segunda sessão consecutiva, o petróleo tipo Brent, referência mundial, com vencimento em maio teve alta de 4,70%, cotado a US$ 81,40 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE).
Enquanto o WTI, referência nos EUA, para abril subiu 4,67%, a US$ 74,56 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). No acumulado da semana até o momento, ambos os contratos avançam mais de 10%.
Com o fechamento desta terça, o Ibovespa registrou a pior sessão desde dezembro do ano passado, atrás somente do pregão do dia 5 de dezembro, quando a principal referência acionária da B3 despencou 4,31%.
Declarações de Trump reduziram momentaneamente as perdas
O Ibovespa chegou a diminuir o ritmo de queda após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou nesta terça-feira, 3, que a Marinha americana oferecerá escolta a navios que atravessarem o Estreito de Hormuz. A declaração ocorre um dia após Teerã anunciar o bloqueio da região e ameaçar embarcações que desrespeitassem a determinação.
"Isso estará disponível para todas as companhias de navegação", escreveu Trump em publicação na rede social Truth Social. "Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível".
Ainda assim, o alívio foi limitado. As perdas nos mercados globais se intensificaram logo cedo com a mudança na percepção dos investidores sobre os possíveis desdobramentos do conflito.
"O mercado havia concluído muito rápido que eventos geopolíticos em geral têm um efeito limitado nas Bolsas, com base em alguma análise olhando o histórico desses eventos e a performance subsequente dos mercados meses depois", escreveu em sua conta no X (antigo Twitter) o estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira.
"Porém, é importante frisar que os eventos geopolíticos que levaram a um choque do petróleo tiveram um impacto bem mais negativo em preços (como a Guerra de Yom Kippur em 1973, a invasão do Kuwait em 1990 e a guerra Rússia/Ucrânia em 2022)", afirmou.
No câmbio, o dólar também encerrou em alta frente ao real de 1,91%, cotado a R$ 5,265, embora abaixo da máxima do dia, quando chegou a R$ 5,3441, refletindo o movimento global de busca por proteção.
Por que o Ibovespa recuou nesta terça?
Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o mercado passou a precificar um cenário mais prolongado de tensão no Oriente Médio.
"O mercado está sentindo que o conflito pode durar mais tempo, as falas do Trump mesmo corroboram com isso. Acho que há essa percepção de que pode durar semanas, o que é péssimo", afirma.
Segundo ele, o temor se agravou com o fechamento do canal do Estreito de Hormuz, que pode provocar um impacto inflacionário relevante no mundo. “Soma esses dois pontos e o mercado deu essa baqueada”, diz.
Na avaliação de Jucelia Lisboa, sócia e economista da Siegen Consultoria, o quadro é típico de aversão ao risco. "Em resumo, o que se vê é um movimento de aversão ao risco, com petróleo em alta, bolsas em queda e dólar forte", afirma.
Além do impacto imediato sobre os ativos financeiros, a disparada do barril acende um alerta adicional para o Brasil. “O avanço do petróleo representa risco direto para a inflação e pode afetar o início do ciclo de queda de juros, ao reduzir o espaço para cortes mais rápidos ou mais intensos da taxa básica”, diz.
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