Ibovespa fecha em queda de 0,4% e dólar sobe com Fed cauteloso sobre juros

Por Clara Assunção 19 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa fecha em queda de 0,4% e dólar sobe com Fed cauteloso sobre juros

O Ibovespa perdeu fôlego ao longo da tarde desta quarta-feira, 18, e encerrou o pregão em queda, refletindo a cautela dos investidores em um dia marcado pela chamada "super quarta", com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Durante a manhã, o índice chegou a oscilar entre leves perdas e ganhos, ganhando volatilidade com a disparada dos preços do petróleo após ameaças do Irã a instalações na região, em meio a ataques dos Estados Unidos e de Israel.

O movimento elevou a aversão a risco global e reforçou preocupações com pressões inflacionárias, mas se intensificou com o tom de cautela do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell, sobre o futuro da política monetária americana. O Ibovespa caiu 0,43%, aos 179.639 pontos, interrompendo duas sessões consecutivas de alta.

No mercado de câmbio, o dólar à vista também ganhou força ao longo da tarde, acompanhando o movimento global de valorização da moeda americana. Após operar próximo da estabilidade durante boa parte do dia, o dólar passou a subir depois da decisão do Fed e intensificou a alta durante a coletiva de JPowell.

A moeda americana fechou em alta de 0,90%, cotada a R$ 5,2468, na máxima do dia. Na mínima, marcou R$ 5,1853. No exterior, o índice DXY voltou a subir e atingir mais de 100 pontos.

Powell diz que política monetária seguirá levemente restritiva

A valorização do dólar e a queda do Ibovespa refletiu o tom mais cauteloso de Powell, que sinalizou que o Fed pode não cortar os juros neste ano diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã e pelos efeitos inflacionários da alta do petróleo.

Mais cedo, o Fed manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% pela segunda reunião consecutiva, em decisão alinhada às expectativas do mercado.

Durante a coletiva, o presidente do BC dos EUA reforçou que qualquer flexibilização da política monetária dependerá de sinais concretos de desaceleração da inflação. "Se não virmos esse progresso, então vocês não verão o corte na taxa", afirmou.

O presidente do Fed também destacou que a autoridade monetária pretende manter a política monetária em nível levemente restritivo enquanto busca equilibrar os riscos de desaceleração do mercado de trabalho e de pressões inflacionárias. Segundo ele, a maioria dos dirigentes não vê uma alta de juros como o próximo passo.

No Brasil, os investidores seguem à espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para após o fechamento do mercado, às 18h30.

Bolsas de NY ampliam queda com Fed

O tom mais restritivo do Fed também levou as principais bolsas dos Estados Unidos a queda. Os principais índices ampliaram as perdas após a decisão do Fed, com o Dow Jones caindo 1,63% e o S&P500 recuando 1,36%; na Nasdaq, a queda foi 1,46%.

"Nos Estados Unidos, o mercado já operava pressionado antes mesmo da decisão do Fed. O dado de inflação ao produtor PPI) veio bem acima do esperado, subindo 0,7% em fevereiro, contra previsão de 0,3%, reforçando a percepção de que a inflação continua resistente, especialmente em um momento em que o petróleo dispara por causa da guerra", afirmou Marcos Praça, diretor de Análises da ZERO Markets Brasil.

Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, destaca que a inflação dos EUA e a comunicado do Fed fazem com com que o próprio mercado, sem surpresas, considere que, se vierem cortes, eles devem ser graduais e mais espaçados, mas sem nenhuma pressão no curto prazo para que isso aconteça.

"O mercado deve operar em linha com o que ele já tinha projetado, sem tantas mudanças na curva de juros e na bolsa, olhando para os Estados Unidos; e a apreensão fica, de fato, agora olhando para a nossa economia, o Brasil", disse Centeno.

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