Ibovespa fecha longe da máxima e dólar reduz perdas com ameaça de greve dos caminhoneiros

Por Clara Assunção 18 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa fecha longe da máxima e dólar reduz perdas com ameaça de greve dos caminhoneiros

O Ibovespa perdeu força ao longo do pregão e fechou em leve nesta terça-feira, 17, refletindo a cautela dos investidores no fim do dia. O principal índice da B3 encerrou com alta de 0,30%, aos 180.409 pontos, depois de ter superado os 182 mil pontos na máxima intradiária.

No câmbio, o dólar também desacelerou o movimento de queda e terminou o dia em baixa de 0,58%, cotado a R$ 5,199, após ter tocado R$ 5,17 na mínima do dia. Em Wall Street, as principais bolsas também reduziram os ganhos ao longo da sessão, com o Dow Jones encerrando praticamente estável, com alta de 0,10%, o Nasdaq avançando 0,47% e o S&P 500 com alta de 0,25%.

A perda de fôlego dos ativos no Brasil  coincidiu com a notícia de uma possível greve de caminhoneiros, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo na última hora de negociação, elevando a percepção de risco no mercado.

Segundo o jornal, caminhoneiros de diferentes regiões do país estariam articulando uma paralisação nacional nos próximos dias. A greve é apontada pela categoria como protesto pelo aumento do custo do diesel e pela insatisfação com medidas adotadas pelo governo para conter a alta do combustível.

À publicação, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, disse que a articulação envolve não apenas os motoristas autônomos, que sua associação representa, mas também os "celetistas", que são contratados por empresas de transporte.

Ameaça de greve eleva cautela nos mercados

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio da Forum Investimentos, o movimento foi influenciado pelo risco, ainda não confirmado, de paralisação. "Uma greve de caminhoneiros é algo bem negativo para os mercados. Pode impactar inflação, câmbio, curva de juros e tende a derrubar a bolsa, como vimos no passado", afirma.

Segundo o operador, o fato de ainda se tratar de uma especulação limitou uma reação mais intensa. "Se fosse algo confirmado, provavelmente o mercado teria virado para queda, mesmo com o exterior positivo".

O economista destaca que uma paralisação é mal vista por afetar cadeias de suprimento, pressionar preços de alimentos e dificultar ainda mais o cenário para a inflação, justamente em um momento em que o Banco Central avalia a política monetária e, devido à guerra no Irã, pode trabalhar com pouco espaço para cortes na Selic. A decisão será divulgada nesta quarta, 18.

Na mesma linha, Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, afirma que o mercado começou o dia em alta mais firme, acompanhando o otimismo externo, mas perdeu tração ao longo da sessão por conta do risco de paralisação dos caminhoneiros.

"O Ibovespa seguiu Nova York, que abriu em forte alta, e o dólar chegou a cair bem, mas isso foi perdendo força com notícias desencontradas sobre o conflito no Oriente Médio e, no fim da tarde, com a possibilidade de greve dos caminhoneiros, que puxou o mercado para baixo”, diz.

A piora de percepção também foi sentida na curva de juros. Adriano Casarotto, Portfólio Manager de Crédito da Franklin Templeton Brasil, afirma que as taxas passaram a subir com a notícia.

O DI para janeiro de 2027 avançou de 14,07% para 14,16%, enquanto o contrato para janeiro de 2028 subiu de 13,575% para 13,68%. Já o DI para janeiro de 2029 ia de 13,56% para 13,65%, e o de janeiro de 2031 também registrou alta, indo para 13,79%.

"Com isso, os juros futuros inverteram o movimento de queda observado no início da semana e voltaram a subir, refletindo novos riscos no radar. O mercado, que chegou a precificar recuo de até 30 pontos-base nas taxas, passou a embutir alta de 10 pontos-base, em um giro rápido de percepção", diz o gestor de crédito privado.

Petrobras avança e limita perdas

Entre os destaques positivos do Ibovespa, a Natura (NATU3) manteve a liderança do início ao fim das negociações, com avanço de quase 9% após a divulgação de balanço. Entre as blue chips, os papéis da Petrobras fecharam em alta, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.

Os preços da commodity continuam pressionados pelos desdobramentos do conflito envolvendo o Irã, o que favorece empresas do setor de energia. No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em maio teve alta de 3,20%, cotado a US$ 103,42 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para abril subiu 2,90%, a US$ 96,21 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Ainda assim, a Brava Energia ficou entre as maiores quedas do dia, de mais de 3%, após perder a disputa por ativos da Petronas para a Petrobras. Já a Magazine Luiza foi a maior queda, com recuo de 8,13%.

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