Ibovespa fecha maio com queda de 7%, a pior desde fevereiro de 2023
O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira, 29, a última de maio, com queda de 0,73% aos 173.787 pontos. Na avaliação mensal, o principal índice acionário brasileiro recuou 7,06%, a pior queda num mês desde fevereiro de 2023, quando a bolsa recuou 7,49%. Na semana, o Ibov caiu 1,19%. Já o dólar teve a maior alta mensal desde julho de 2025, subindo em maio 1,71%. Na semana, a moeda fechou com alta de 0,10%, enquanto nesta sexta-feira, 29, a divisa subiu 0,21% a R$ 5,042.
Um dos principais motivos para a queda do Ibovespa e alta no dólar é a fuga de capital que atingiu o Brasil durante este mês. Desde o começo do ano, o estrangeiro estava migrando recursos dos Estados Unidos para outros países, e os emergentes, incluindo o Brasil, estavam sendo beneficiados — o que impulsionou a bolsa para perto dos 200 mil pontos.
Entretanto, diversos fatores levaram o gringo a retirar capital daqui agora. Até o dia 20 de maio, investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 9,64 bilhões da da B3, segundo a consultoria Elos Ayta. Segundo Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, muito desse capital estão indo para bolsas asiáticas e empresas de tecnologias americanas. Inclusive, Nasdaq e S&P 500 bateram seus recordes intradiários nesta sexta-feira, 29.
“Mesmo o Brasil sendo um dos principais países emergentes para receber capital estrangeiro, a queda de juros mais curta e morosa e a instabilidade fiscal vão fazendo essa oportunidade escorrer pelo ralo e o primeiro reflexo é a bolsa de valores perdendo capital”, diz o especialista.
O mesmo ocorre com o dólar. De acordo com Bento, os juros futuros elevados é sinal de risco país mais elevado. Somado ao IPCA mostrando um inflação persistente, isso pode ocasionar em uma queda mais branda da Selic ao longo de 2026. “Podemos terminar esse ano com uma política monetária mais contracionista”, pontua. Os analisas consultados pelo Banco Central no último Boletim Focus, elevou a projeção do IPCA de 4,92% para 5,04%.
Investidores também acompanharam os possíveis desdobramentos da Guerra do Irã e Estados Unidos. As bolsas lá fora subiram nessa sexta-feira com uma possível prorrogação do cessar fogo entre os países e a suspensão as restrições de transportes no Estreito de Ormuz. “Mas caso o petróleo continue caindo, isso pode impactar negativamente a bolsa. Petrobras pode realizar e levar a bolsa a perder os 170 mil pontos”, comenta Bento.
Já o local está instável. Nesta quinta-feira, 28, os Estados Unidos categorizaram o crime organizado no Brasil, o PCC e o Comando Vermelho, como grupos terroristas. Essa classificação das facções criminosas pelo governo americano é "um tema caro", segundo agentes de mercado ouvidos pela EXAME. "Terão que tomar ainda mais cuidado com os investimentos", afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.
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