Ibovespa perde força e reduz alta; dólar vira e sobe com tensão no Irã

Por Clara Assunção 30 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa perde força e reduz alta; dólar vira e sobe com tensão no Irã

O Ibovespa reduziu os ganhos da abertura no início da tarde desta segunda-feira, 30, enquanto o dólar passou do movimento de leve queda para leve alta, em mais um pregão marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Às 14h21, o principal índice da B3 avançava 0,66%, aos 182.758 pontos. O movimento de alta também foi reduzido. Dos 82 papéis que compõem o índice, 46 subiam, com destaque para Brava Energia (BRAV3), PetroRecôncavo (RECV3) e Weg (WEGE3), que sobem mais de 3%.

Entre as blue chips, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) lideravam as altas com avanço de 2,08%. Os papéis acompanham a alta dos preços do petróleo no mercado internacional, que permanecem elevados. No mesmo horário, Brent, que chegou a tocar os US$ 116, subia 0,20%, cotado a US$ 112,80. Enquanto o WTI mantinha o avanço com alta de 3,84%, a US$ 103,47.

As ações da Vale (VALE3) também registravam forte alta de 1,05%. A mineradora informou que estendeu a vida útil do complexo minerário de Itabira de 2041 para até 2053. "Esse tipo de alta, concentrada em empresas de maior peso, indica um fluxo mais tático do que estrutural, muito ligado ao cenário externo mais favorável e à acomodação das commodities", afirmou Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest.

"Quando há esse tipo de melhora no mercado, o efeito se estende para o ecossistema de inovação, porque reduz a percepção de risco e reabre espaço para investimento. Mesmo assim, o capital continua seletivo, privilegiando startups com modelos sólidos, eficiência operacional e capacidade de escalar com disciplina", complementou Patrus.

No câmbio, o dólar, que abriu em queda, passou a registrar leve alta. Perto das 14h30, a moeda americana registrava ligeira alta de 0,23%, cotada a R$ 5,254.

31° dia da guerra no Irã

A guerra no Irã completa um mês sem perspectivas de cessar-fogo e segue como principal fator de atenção dos investidores. O conflito se intensificou após Israel bombardear Teerã em resposta à identificação de mísseis lançados a partir do Iêmen no fim de semana, segundo a Reuters.

A tensão ganhou novos contornos após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista ao Financial Times. Trump afirmou que pretende “ficar com o petróleo do Irã” e mencionou a possibilidade de tomar a ilha de Kharg, principal terminal de exportação do país. “Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, disse.

Apesar do tom mais duro, Trump indicou que negociações indiretas com Teerã seguem em andamento, mediadas por representantes paquistaneses. O prazo para um acordo foi novamente adiado, agora até 6 de abril. Caso não haja avanço, os Estados Unidos podem retomar ofensivas contra o setor energético iraniano.

O presidente também citou movimentações no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, e afirmou que o Irã autorizou a passagem de 20 petroleiros como sinal de progresso nas negociações.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos ampliam sua presença militar na região, com o envio de cerca de 10 mil soldados, incluindo fuzileiros navais e tropas da 82ª Divisão Aerotransportada.

Para Bruno Benassi, analista de ativos da Monte Bravo, os mercados começam a refletir um cenário mais complexo, que vai além da inflação provocada pelo petróleo. “Os mercados estão abrindo de maneira ligeiramente positiva, tanto no Brasil quanto no exterior, mas ainda é cedo para dizer se esse movimento se sustenta ao longo do dia”, afirma.

Segundo o operador, o nível elevado do petróleo já começa a acender um alerta maior para atividade econômica global. “Com o Brent na casa dos US$ 115, o mercado passa a considerar um cenário mais recessivo à frente, especialmente nos Estados Unidos. Nesse patamar, é mais provável que a atividade desacelere do que a inflação suba de forma persistente”, diz.

Benassi destaca ainda que esse movimento já aparece nos ativos globais. “Hoje vemos o petróleo subindo ao mesmo tempo em que as curvas de Treasuries fecham, o que indica aumento da percepção de risco de recessão”, afirma. Para ele, o pregão deve seguir sensível a novas notícias sobre o conflito, incluindo o envio de tropas americanas e os desdobramentos das negociações com o Irã.

Bolsas globais: entre cautela e recuperação

As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta segunda-feira em queda, pressionadas pela continuidade da guerra no Oriente Médio e pelo impacto dos preços elevados do petróleo.

Investidores também monitoram sinais contraditórios sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto episódios recentes de ataques, incluindo lançamentos de mísseis e ações a partir do Iêmen, mantêm o ambiente de incerteza elevado.

No Japão, o índice Nikkei 225 recuou 2,79%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 2,97%. Em Hong Kong, o Hang Seng teve baixa de 0,81%. Na China continental, o Xangai Composto conseguiu reverter perdas ao longo do dia e fechou com leve alta de 0,24%.

Na Europa, o movimento é de recuperação após as perdas da última sessão. Por volta das 14h, o índice Stoxx 600 avançava 0,94%. Em Londres, o FTSE subia 1,61%, enquanto Frankfurt (DAX) ganhava 1,18% e Paris (CAC) avançava 0,92%.

Já nos Estados Unidos, os índices, que abriram em alta, passaram a operar de forma mista. O Dow Jones subia 0,52%, assim como o S&P 500, que registrava ligeira alta de 0,11%. Já o Nasdaq virou para ligeira queda de 0,16%.

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