Ibovespa quebra sequência de altas e fecha em leve queda de 0,17%
O Ibovespa encerrou as negociações desta terça-feira, 10, em leve queda de 0,15%, aos 185.953 pontos, interrompendo uma sequência de três sessões consecutivas de alta, em um pregão marcado por volatilidade e realização de lucros após o índice ter renovado, na véspera, a máxima histórica de fechamento.
O desempenho do mercado local contrastou com o comportamento do índice Dow Jones, que destoou dos demais índices dos Estados Unidos e renovou, pela terceira sessão consecutiva, máxima histórica de fechamento.
O movimento ocorreu em um dia negativo para os setores de tecnologia e financeiro, em meio à divulgação de dados de atividade econômica abaixo do esperado, além da atenção dos investidores aos discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), à temporada de balanços e à expectativa pelo relatório de emprego (“payroll”), que será divulgado nesta quarta, 11.
Ao fim do pregão, o Dow Jones subiu 0,10%, aos 50.188,14 pontos. Já o S&P 500 recuou 0,33%, aos 6.941,81 pontos, enquanto o Nasdaq caiu 0,59%, aos 23.102,47 pontos. Entre os setores, finanças e tecnologia registraram perdas de 0,75% e 0,58%, respectivamente.
Vale pressiona o Ibovespa
No mercado doméstico, o viés negativo do Ibovespa foi influenciado pelo desempenho de ações de peso. Dos 84 papéis que compõem o índice, 26 fecharam em alta, 35 terminaram estáveis e 23 recuaram.
As ações da Vale (VALE3), que respondem por quase 12% da carteira do índice, caíram 0,30% e exerceram pressão relevante sobre o desempenho do indicador. "A Vale acompanhou a leve queda do minério de ferro no mercado internacional, também sem movimentos abruptos", afirmou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4), por sua vez, chegaram a operar em baixa, mas viraram para o campo positivo no fim do pregão, ajudando a limitar perdas mais expressivas do Ibovespa.
No setor bancário, o desempenho foi misto, com destaque negativo para as units do BTG Pactual (BPAC11), que recuaram 2,09%.
A maior queda do dia, porém, ficou com as ações da Eneva (ENEV3), que recuaram 9,66%. "A Eneva também cai após a Aneel ter anunciado preços-teto para os leilões de reserva de capacidade abaixo do esperado", disse Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.
As ações da Raízen (RAIZ4) também tombaram 8,33% em meio ao rebaixamento do grau de investimentos para o nível "junk bond", título de alto risco, após dois controladores, Shell e Cosan, continuarem relutantes em injetar mais capital na empresa.
Mas a leve queda na sessão de hoje também reflete que o mercado está à espera do payroll de amanhã, "que será acompanhado com lupa pelos investidores", segundo Correia. "Dia de pouca variação percentual com players sem tomar direção e em compasso de espera em relação aos dados que saem amanhã", afirmou.
A análise é colaborada Cruz, que também disse não ver a queda atrelada a algum um fator específico como gatilho e refletir um ajuste marginal após uma sequência de altas. "Não vejo nenhum grande motivo hoje para essa queda, tanto que é um recuo bem marginal depois de algumas altas sucessivas".
Inflação no radar
No cenário macroeconômico doméstico, o destaque do dia foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A inflação oficial do país subiu 0,33% em janeiro, mesmo resultado observado em dezembro de 2025.
Com isso, o acumulado em 12 meses avançou para 4,44%. Em janeiro do ano passado, o índice havia registrado alta de 0,16%. O resultado veio levemente acima da mediana das estimativas de mercado, que apontava avanço de 0,31%.
Segundo o IBGE, os principais impactos no resultado do mês vieram de movimentos opostos nos preços administrados. Enquanto a gasolina teve alta de 2,06%, a energia elétrica residencial recuou 2,73%, ajudando a conter uma pressão inflacionária ainda maior.
"Existem desafios importantes que observamos no curto prazo. Ou seja, embora a inflação do serviço tenha vindo num patamar baixo, puxado por queda de passagens aéreas e devolução dos preços de transportes por aplicativos, que subiram bastante no final do ano passado, em dezembro, a parte ligada à atividade econômica e ao mercado de trabalho ainda segue bem pressionada", afirma Julio Barros, economista do Banco Daycoval.
Segundo o economista, isso não muda o cenário de expectativa de início de corte de juros em 0,25% em março que projeta a instituição, mas ele não descarta que os novos dados podem mudar a percepção e o Banco Central pode evidentemente começar com cortes mais intensos.
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