Ibovespa recua após recorde com apenas seis ações em alta; veja quais são

Por Clara Assunção 5 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa recua após recorde com apenas seis ações em alta; veja quais são

O Ibovespa abriu as negociações desta quarta-feira, 4, em movimento de queda, após renovar máximas históricas na sessão anterior. Por volta das 10h33, o principal índice da B3 recuava 0,71%, aos 184.352 pontos, devolvendo parte dos ganhos acumulados no rali recente.

O pregão começou marcado por um forte viés negativo na composição do índice. Dos 84 papéis que integram o Ibovespa, 41 operavam em queda, 35 estavam estáveis e apenas seis registravam alta no horário.

No campo positivo, o destaque ficava para as ações preferenciais da Raízen (RAIZ4), que avançavam 2,04%, seguidas por Braskem (BRKM5), com alta de 1,41%. As ordinárias da C&A (CEAB3) subiam 0,96%, enquanto os papéis da Azzas (AXIA7 e AXIA3) registravam ganhos de 0,65% e 0,55%, respectivamente.

As chamadas blue chips, que haviam puxado o índice para níveis recordes na véspera, operavam majoritariamente em queda nesta manhã. A exceção era a Vale (VALE3), que conseguia sustentar leve alta de 0,11%, mesmo com a queda do preço do minério de ferro. A commodity recuou 0,32% na Bolsa de Dalian, na China, cotada a 781,5 yuans (US$ 112,62) a tonelada, em um movimento que, segundo analistas, reflete uma migração de capital para fora do setor de metais ferrosos e em direção a outras commodities.

Os papéis dos grandes bancos também recuavam, em meio à abertura da temporada de balanços das instituições financeiras no Brasil, enquanto as ações da Petrobras, de peso relevante na composição do índice, igualmente operavam no campo negativo. Entre as maiores quedas do dia estavam Cogna (COGN3), Weg (WEG3), Totvs (TOTS3) e Hypera Pharma (HYPE3).

O movimento de realização de lucros ocorre após um pregão histórico na terça-feira (3), quando o Ibovespa renovou recordes intradiário e de fechamento. O índice chegou a avançar 2,48% no pico do dia, alcançando 187.333,83 pontos, e encerrou a sessão em alta de 1,58%, aos inéditos 185.674,42 pontos, superando o recorde anterior de 28 de janeiro.

Na avaliação do mercado, o rali foi impulsionado pela divulgação da ata do Copom, que manteve a Selic em 15% ao ano e reforçou a sinalização de que o ciclo de flexibilização monetária deve começar em março. A perspectiva de juros mais baixos favoreceu ações ligadas ao consumo, varejo e construção civil, além de ter atraído fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira. Na véspera, todas as ações de maior peso do índice operaram em alta, com destaque para a Vale, que subiu quase 5%, descolando-se do desempenho do minério de ferro.

O cenário externo também contribui para um tom mais cauteloso nos mercados nesta quarta-feira. Segundo análise de Marianna Costa, economista da Mirae Asset, os principais índices globais iniciam o dia com desempenho positivo, mas sem um viés claro, enquanto ações dos setores de tecnologia e mídia seguem sob pressão, à espera dos resultados da Alphabet. Na agenda internacional, os investidores acompanham a divulgação dos PMIs compostos, além de dados relevantes nos Estados Unidos, como o ISM de serviços e a pesquisa ADP sobre criação de empregos no setor privado.

Nos EUA, o Congresso chegou a um acordo para encerrar a paralisação parcial do governo, garantindo o financiamento federal até setembro, o que ajuda a reduzir incertezas no curto prazo. Ainda assim, a atenção permanece voltada para a política monetária e para a agenda de indicadores, especialmente após o adiamento da divulgação do relatório de payroll.

No mercado de commodities, o petróleo opera em leve alta, com o Brent em torno de US$ 67,47, em meio à retomada das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, enquanto o ouro avança com força, refletindo busca por proteção. No Brasil, a agenda é mais esvaziada, com destaque para o PMI de serviços e o fluxo cambial semanal, além das operações do Banco Central no mercado de câmbio.

Após a euforia da véspera, o início desta quarta-feira mostra um mercado mais seletivo e cauteloso, com investidores avaliando o cenário global, a temporada de balanços e os próximos passos da política monetária.

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