Ibovespa recua com petróleo abaixo dos U$ 100 e Petrobras em queda
O Ibovespa abriu a sessão desta quinta-feira, 7, em forte queda de 1,60% aos 184.689 pontos. O principal índice acionário do Brasil reage hoje à forte queda do petróleo e aos balanços. O dólar recua 0,41% a R$ 4,90.
A referência mundial Brent cai 4%, quase ficando abaixo dos US$ 90 o barril. Apesar disso, a commodity ainda está 50% acima do seu patamar anterior à Guerra no Irã. Com isso, Petrobras (PETR4) recua 2,98%, enquanto PETR3 desvaloriza 2,81% às 10h40.
O que acontece é que o governo iraniano avalia uma proposta estadunidense para encerrar formalmente a guerra. O presidente dos EUA, Donald Trump, espera um desfecho rápido para o conflito, disse a Reuters.
O republicano relatou, em uma rede social, que a operação militar dos EUA contra o Irã, chamada "Operation Epic Fury", poderia finalizar caso Teerã aceitasse os termos negociados. O acordo levaria a uma abertura completa do Estreito de Ormuz, inclusive para o Irã, disse Trump.
A rota é estratégica para o transporte global de petróleo, responsável por 20%-25% de todo o escoamento do planeta, o que evidencia o grande impacto se houver normalização da oferta de energia por lá.
Bradesco também influencia
O resultado do Bradesco (BBDC4) também pressiona a bolsa, que também puxa as outras financeiras. Às 10h18, as ações caíam 3,48%. Apesar da companhia ter registrado lucro líquido recorrente de R$ 6,81 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16,1% sobre o mesmo período do ano anterior — sendo o nono trimestre seguido de crescimento —, alguns pontos preocupam o mercado.
Para o Safra, o principal ponto negativo do resultado do Bradesco foi o aumento das provisões para perdas com crédito. O custo do risco subiu 0,20 ponto percentual no trimestre, fazendo com que as perdas esperadas com inadimplência ficassem 6% acima do previsto pelo banco. Com isso, o desempenho mais forte da receita com juros acabou sendo neutralizado.
Segundo o Safra, as provisões no segmento de grandes empresas cresceram cerca de R$ 600 milhões, possivelmente por causa de um caso específico envolvendo um cliente corporativo. Na avaliação do banco, o Bradesco está adotando uma postura mais cautelosa diante de um cenário macroeconômico mais desafiador, reforçando a proteção contra uma possível piora na qualidade da carteira de crédito.
Embora essa postura mais conservadora seja vista como positiva por aumentar a segurança do balanço, ela também pode indicar que as projeções do mercado para o lucro de 2026 — entre R$ 27,5 bilhões e R$ 28 bilhões — ainda estejam relativamente otimistas e talvez não passem por revisões relevantes.
Somado a isso, há uma realização de lucro por parte dos bancos, que caem em bloco hoje. Vale (VALE3), empresa de maior peso no índice, recua 0,78%.
Mercado cauteloso
Outro fator que colabora para a bolsa no vermelho é a cautela de investidores antes do encontro do presidente Lula com Donald Trump.
O presidente Lula entrará na Casa Branca, nesta quinta-feira, 7, pela sexta vez em sua vida. Após ser recebido pelos presidentes George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden, será a vez de se encontrar pessoalmente com Donald Trump. Na pauta do encontro, há muitos temas a resolver, incluindo minerais críticos, segurança pública e o risco de novas tarifas ao Brasil.
A visita começará às 11h na hora local (12h em Brasília). A agenda inclui uma reunião inicial de 30 minutos, seguida de um almoço.
Os dois presidentes se encontram em momentos de dificuldade. No Brasil, Lula teve derrotas recentes no Congresso, como o veto à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), e vê um cenário de empate técnico na disputa pela reeleição.
Do outro lado, Trump busca saídas para encerrar a Guerra no Irã, iniciada por ele em fevereiro, e lidar com a alta do preço dos combustíveis, gerada pelo conflito.
*Colaborou Rafael Balago
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