Ibovespa recupera parte das perdas com Irã e fecha em alta de 1,2%

Por Clara Assunção 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa recupera parte das perdas com Irã e fecha em alta de 1,2%

O Ibovespa ampliou o movimento de alta ao longo desta quarta-feira, 4, e encerrou o pregão com ganhos consistentes, após um dia marcado pela recuperação parcial do apetite por risco. O avanço, no entanto, voltou a conviver com a pressão sobre as ações da Petrobras, que recuaram mesmo diante do fechamento praticamente estável do petróleo no mercado internacional.

O índice fechou em alta de 1,24%, aos 185.366 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 183.110 pontos e a máxima de 186.306 pontos. Dos 84 papéis que compõem o índice, 68 encerraram em alta, 10 ficaram estáveis e apenas seis fecharam em baixa.

As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 0,72%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 1,10%. A queda ocorre após a forte valorização recente dos papéis e em meio a um movimento de correção, mesmo com o petróleo encerrando sem direção única no quinto dia de guerra no Irã.

O Brent para maio fechou em leve queda de 0,13%, a US$ 81,29 por barril, na ICE, enquanto o WTI para abril subiu 0,13%, a US$ 74,66, na Nymex.

Uma reportagem do The New York Times informando que integrantes do governo iraniano e a CIA estariam negociando um possível fim do conflito arrefeceu o ímpeto comprador sobre as bolsas, ainda que autoridades americanas tenham demonstrado ceticismo quanto a uma resolução rápida.

No caso das petroleiras listadas na B3, o movimento também refletiu alívio após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apontando que escoltará navios petroleiros no Estreito de Ormuz, buscando evitar interrupções no fluxo global da commodity.

Entre as blue chips, a Vale (VALE3) também virou para queda e encerrou com recuo de 0,46%.

No lado negativo, a Raízen (RAIZ4) liderou as perdas, com tombo de 13,04%, após Cosan e Shell não chegarem a um acordo sobre capitalização da companhia. Na sequência apareceram Assaí Atacadista (ASAI3), com queda de 3,35%, e Suzano (SUZB3), que recuou 1,34%.

GPA lidera pregão e bancos sobem em bloco

Do lado positivo, o GPA (PCAR3) manteve a liderança do início ao fim do pregão e fechou em alta de 14,67%, ampliando a recuperação após a forte queda da véspera.

A companhia comunicou ao mercado mais cedo que contratou a Munhoz Advogados para negociar dívidas e avaliar uma eventual recuperação extrajudicial.

O setor bancário também contribuiu para sustentar o índice no campo positivo. O BTG Pactual (BPAC11) liderou os ganhos entre os bancos, com alta de 4,14%. Já Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 1,69%, e Bradesco (BBDC4) avançou 1,24%.

No câmbio, o dólar manteve a trajetória de queda ao longo do dia e encerrou com recuo de 0,89% frente ao real, cotado a R$ 5,218.

Correção técnica nos mercados

Para Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, o movimento desta quarta representa uma correção técnica após o forte estresse da véspera, quando o Ibovespa chegou a recuar quase 4%, refletindo o aumento abrupto da aversão ao risco.

"Hoje vemos uma correção, tanto no mercado brasileiro quanto nos internacionais. Não porque o cenário tenha melhorado, mas porque simplesmente não houve novidade relevante sobre a guerra. Ela continua, evidentemente, mas o fluxo de notícias perdeu intensidade", afirmou Santana.

"Os Estados Unidos decidiram proteger navios petroleiros, especialmente no Estreito de Ormuz, para evitar interrupções na circulação e nas transações globais de petróleo. Acredito que essa sinalização trouxe algum alívio momentâneo".

Segundo ele, no caso da Petrobras, a queda também reflete ajuste após a forte alta recente e a leitura de que, com a escolta americana no Estreito de Ormuz, o risco imediato de choque de oferta diminui.

"Importante destacar que estamos em ano eleitoral, e o mercado teme que, diante de uma disparada do petróleo, a Petrobras opte por absorver parte dessa alta para evitar repasses internos de preços. Então, o receio é de que a companhia sacrifique margem e amargue prejuízos para não promover ajustes em um período politicamente sensível", afirmou.

O especialista pondera, contudo, que o ambiente segue frágil. "Mas fato é que o pessimismo não acabou. O que temos é uma pausa técnica depois de uma busca intensa por proteção. O mercado agora aguarda novos desdobramentos para decidir se retoma o movimento defensivo ou se encontra espaço para alguma acomodação, especialmente se surgirem sinais de acordo em relação à guerra".

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: