Parlamento convoca reunião de emergência sobre acordo com os EUA após 'derrubada' de tarifas

Por Mateus Omena 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Parlamento convoca reunião de emergência sobre acordo com os EUA após 'derrubada' de tarifas

Parlamentares da União Europeia convocaram uma reunião de emergência para segunda-feira, 23, para revisar o acordo comercial do bloco com os Estados Unidos, após a Suprema Corte americana anular as tarifas recíprocas globais impostas pelo presidente Donald Trump.

A comissão de comércio do Parlamento Europeu tinha previsto votar, na terça-feira, o avanço do processo de ratificação do acordo entre EUA e UE. O procedimento havia sido suspenso anteriormente, depois que Trump ameaçou anexar a Groenlândia, o que levou eurodeputados a congelarem a tramitação.

"A decisão da Suprema Corte era esperada. A base legal para as tarifas injustificadas não estava correta", afirmou Bernd Lange, presidente da comissão de comércio, em declaração à Bloomberg.

Lange afirmou nas redes sociais que “agora devemos avaliar cuidadosamente” a decisão e “analisar possíveis implicações sobre o trabalho em andamento” para ratificar o acordo.

O pacto comercial prevê a eliminação de tarifas sobre a maior parte dos produtos dos Estados Unidos e a aplicação de uma tarifa de 15% sobre bens da União Europeia. O bloco fechou o entendimento no verão passado com o objetivo de evitar uma escalada comercial e preservar o apoio de segurança americano. O Parlamento Europeu planejava concluir a ratificação em março.

"Os juízes demonstraram que até mesmo um presidente dos EUA não atua em um vácuo jurídico", declarou Lange.

Mesmo antes da decisão desta sexta-feira, parlamentares da União Europeia já haviam promovido mudanças no acordo comercial com os Estados Unidos, incluindo a inclusão de uma cláusula de caducidade, o que gerou questionamentos sobre sua aplicação prática.

Após o posicionamento da Suprema Corte americana, a Comissão Europeia, braço executivo do bloco, informou em comunicado que mantém contato com Washington e busca esclarecimentos sobre as medidas adotadas pelo governo dos EUA.

Cautela do Reino Unido

"Trabalharemos com o governo americano para entender como esta decisão afetará as tarifas para o Reino Unido e o resto do mundo", indicou um porta-voz do governo trabalhista em comunicado, prometendo "apoiar as empresas britânicas à medida que forem anunciados mais detalhes".

"O Reino Unido se beneficia das tarifas recíprocas mais baixas do mundo e, seja qual for o cenário, esperamos que nossa posição comercial privilegiada com os Estados Unidos seja mantida", acrescentou o governo britânico.

O governo trabalhista de Keir Starmer destacou que um acordo firmado com os Estados Unidos garante ao Reino Unido tarifas limitadas a 10% sobre a maioria dos produtos britânicos.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: