Ibovespa reduz queda; petrolíferas sobem com efeito Irã
O Ibovespa abriu a semana refletindo a piora do apetite ao risco no exterior após a escalada do conflito no Oriente Médio. Às 13h30 (horário de Brasília), no entanto, o principal índice da B3 reduziu as perdas, registrando leve queda de 0,19%, aos 188.450 pontos.
Dos 84 papéis que compõem o índice, 60 operavam em baixa no mesmo horário. Entre as maiores quedas estavam os papéis da Minerva (BEEF3), que caíam mais de 3%, seguidos por CSN (CSNA3), com recuo de 3,13%. Entre as blue chips, as ações da Vale (VALE3) registravam queda de 0,90%.
Na ponta positiva, apenas empresas ligadas a commodities escapavam do movimento negativo. As petroleiras lideravam os ganhos, impulsionadas pelo salto do petróleo no mercado internacional.
A Prio (PRIO3) avançava mais de 4%, seguida por Brava Energia (BRAV3), com alta de 3,76%. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) subiam mais de 3%, enquanto PetroRecôncavo (RECV3) ganhava mais de 2%.
Petróleo dispara e prêmio de risco aumenta
O movimento ocorre após um fim de semana de intensificação do conflito no Oriente Médio. No sábado, 28, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã.
Horas depois, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, havia sido morto nos bombardeios — informação posteriormente confirmada pelo governo iraniano. No domingo, 1º, os ataques e retaliações continuaram, ampliando o temor de envolvimento de outros países da região.
Segundo Marianna Costa, economista da Mirae Asset, o petróleo tipo Brent registra alta próxima a 10% em relação ao fechamento de sexta-feira, sendo negociado ao redor de US$ 80 por barril nesta segunda-feira. "A intensificação do conflito eleva substancialmente o prêmio de risco geopolítico embutido na commodity", afirma.
Os mercados acompanham com atenção o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do fluxo global de petróleo e volumes relevantes de gás natural. Trump afirmou que as operações militares podem se estender por até quatro semanas, ou até que os "objetivos muito fortes" dos Estados Unidos sejam atingidos.
Busca por proteção
No mercado financeiro internacional, o dólar ganha força; o índice DXY, que compara a moeda americana a uma cesta de outras divisas, avançava 1%. Por aqui, o dólar subis 1% em relação ao real, cotado a R$ 5,18.
Nos Estados Unidos, as bolsas operavam mistas. O índice S&P operava com leve queda de 0,025%, o Nasdaq operava com leve alta de 0,031% e o Dow Jones caía 0,16%.
Além do cenário geopolítico, a semana é marcada por uma agenda econômica carregada. No exterior, investidores acompanham os PMIs industriais e de serviços, além de indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos, como o relatório Jolts, a pesquisa ADP e, principalmente, o payroll de sexta-feira, 6.
Também estão no radar discursos de dirigentes do Federal Reserve e a divulgação do Livro Bege, documento que subsidia a próxima decisão de política monetária, marcada para 18 de março.
No Brasil, o principal destaque é a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025, prevista para terça-feira, 3. A mediana das estimativas aponta para expansão de 0,1% no período e crescimento acumulado de 2,3% em 2025.
Ao longo da semana, também serão conhecidos dados como IPC-S, Índice de Confiança Empresarial, Focus, Caged, PNAD Contínua, balança comercial, produção industrial e indicadores da indústria automotiva.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: