Ibovespa renova recorde de fechamento e supera os 186 mil pontos com 'blue chips'
O Ibovespa ganhou força ao longo do pregão desta segunda-feira, 9, e encerrou o dia em novo recorde de fechamento, impulsionado pelo avanço das ações de maior peso do índice. O principal indicador da B3 subiu 1,80%, aos 186.242,99 pontos, marcando a primeira vez que a bolsa brasileira fecha acima dos 186 mil pontos.
Apesar do desempenho expressivo, o índice não renovou a máxima histórica intradiária de 187.333,83 pontos, registrada em 3 de fevereiro. Ainda assim, superou o recorde anterior de fechamento, de 185.674,43 pontos, alcançado naquela mesma data.
O movimento foi liderado pelas chamadas blue chips, com destaque para o setor bancário e para as grandes exportadoras.
As units do Santander (SANB11) figuraram entre as maiores altas do dia, com avanço de quase 6%, acompanhadas pelas preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) e pelas ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3).
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) também tiveram papel relevante na sustentação do índice, beneficiadas pela alta do petróleo no mercado internacional.
Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o desempenho reflete um ambiente de apetite ao risco global.
Segundo ele, os resultados da eleição no Japão impulsionaram a bolsa local, ao reforçar expectativas de expansão fiscal e cortes de impostos, o que favoreceu mercados acionários ao redor do mundo, apesar dos riscos para a dinâmica das dívidas soberanas globais.
Nesse contexto, o chamado movimento estrutural de rotação global, que direciona recursos para mercados emergentes, ganhou novo fôlego e beneficiou diretamente o Brasil. "O mercado brasileiro também opera apoiado nas boas expectativas para a temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 e pelo discurso moderado de Gabriel Galípolo em evento da ABBC", afirma Perri.
Parte dos bancos, segundo o economista, se recuperaram após uma semana negativa, favorecidos tanto pelo ambiente externo quanto pelo tom prudente e independente de Galípolo, que reforçou o início do ciclo de cortes de juros, mas sinalizou cautela nos próximos passos.
O alívio na ponta curta da curva também ajudou setores sensíveis aos juros, como energia elétrica, saneamento e varejo. A maior alta do dia, por exemplo, ficou com as ações do Magazine Luiza (MGLU3), que anotaram ganho de 7,55%.
A Vale (VALE3) avançou apoiada nas expectativas em torno de seus resultados trimestrais, apesar do minério de ferro seguir em queda na Bolsa de Dalian, na China.
A commodity recuou pela sexta sessão consecutiva, pressionada pelo aumento dos estoques chineses, sinais de demanda mais fraca e pela normalização das operações portuárias na Austrália. O contrato mais líquido, com vencimento em maio, caiu 0,46%, a 761,5 iuanes (US$ 109,89) por tonelada.
Mais cedo, a mineradora chegou a operar pressionada por notícias sobre a interrupção de atividades em Ouro Preto, após decisão da Justiça de Minas Gerais relacionada ao transbordamento de uma barragem no Complexo Minerário de Fábrica.
Busca global por ativos de mercados emergentes
Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o pregão reforça a busca global por ativos de mercados emergentes.
"Quando você tem Petrobras e Vale subindo forte, o índice acaba sendo puxado como um todo. Há uma realocação global em curso, com casas relevantes falando em mais de 40 bilhões de dólares que podem migrar para emergentes, o que levaria a bolsa brasileira a patamares bem mais elevados", afirma.
O movimento também foi influenciado por novas tensões após reportagem da Bloomberg indicar que reguladores chineses estariam recomendando a bancos do país evitar maior exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o que adicionou volatilidade às taxas e enfraqueceu o dólar globalmente.
Na leitura de Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha, o índice acelerou especialmente no fim do pregão com a intensificação do fluxo estrangeiro. "Petrobras e Vale puxaram forte, o dólar chegou a tocar mínimas próximas de R$ 5,18, e esse fluxo positivo acaba beneficiando as ações mais líquidas, fazendo o índice ganhar tração nos últimos minutos", disse Marcatti.
No câmbio, o dólar recuou frente ao real, com queda de 0,62%, cotado a R$ 5,188. Trata-se do menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando a moeda americana terminou o dia vendida a R$ 5,1534.
Entre os destaques negativos do dia, BTG Pactual (BPAC11) recuou em movimento de realização de lucros após a divulgação de resultados trimestrais robustos.
Já o discurso mais parcimonioso de Galípolo pressionou os juros de longo prazo, impactando ações do setor de incorporação, como Cyrela (CYRE3) e Cury (CURY3). A maior queda do dia ficou com as ações da Hapvida (HAPV3), com queda de 2,72%.
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