IEA propõe liberar 400 milhões de barris para conter disparada do petróleo

Por Estela Marconi 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
IEA propõe liberar 400 milhões de barris para conter disparada do petróleo

A Agência Internacional de Energia (IEA) propôs a maior liberação de reservas de petróleo de sua história para tentar conter a disparada dos preços do combustível após a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Segundo o Wall Street Journal, a proposta prevê colocar no mercado 400 milhões de barris de petróleo, segundo autoridades familiarizadas com as discussões.

O volume supera com folga a maior liberação anterior coordenada pela agência, realizada em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, quando os países membros liberaram 182 milhões de barris.

O plano foi apresentado em uma reunião emergencial realizada nesta terça-feira com autoridades de energia dos 32 países integrantes da IEA.

A decisão final deve ocorrer nesta quarta-feira e será aprovada caso nenhum país se oponha. Mesmo um único veto pode adiar a medida.

Crise energética após bloqueio do Estreito de Ormuz

A iniciativa busca compensar a interrupção quase total do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica que conecta o Golfo Pérsico aos mercados globais.

Cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa diariamente pelo estreito. O transporte foi drasticamente reduzido após ameaças e ataques atribuídos ao Irã contra navios petroleiros que cruzam a região.

O cenário elevou a preocupação com um choque de oferta no mercado global de energia — exatamente o tipo de crise que levou à criação da IEA em 1974, após o embargo de petróleo imposto por países árabes.

A organização reúne economias ocidentais e aliados e coordena políticas de segurança energética, incluindo regras sobre reservas estratégicas de petróleo e liberações emergenciais para estabilizar o mercado.

Preço do petróleo disparou desde início da guerra

Desde 28 de fevereiro, quando Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, autorizou ataques contra o Irã em coordenação com Israel, o preço do petróleo chegou a subir até 40%, ultrapassando brevemente os US$ 100 por barril.

Nesta semana, as cotações recuaram para menos de US$ 84, acompanhando declarações de Trump sobre a duração do conflito. Mesmo assim, derivados como o diesel continuam registrando forte alta.

Segundo o WSJ, economistas alertam que um aumento prolongado do petróleo pode provocar pressão inflacionária, elevação dos custos de transporte e até correções nos mercados de ações.

Os países membros da IEA possuem atualmente cerca de 1,2 bilhão de barris em reservas públicas, além de aproximadamente 600 milhões de barris em estoques comerciais obrigatórios, segundo o diretor-executivo da agência, Fatih Birol.

Pelas estimativas da instituição, esse volume seria suficiente para compensar cerca de 124 dias de interrupção no fornecimento de petróleo do Golfo.

Reunião do G7 discute resposta à crise

Paralelamente, o presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma videoconferência com líderes do G7 para discutir medidas capazes de reduzir o impacto da crise energética global.

Entre as alternativas avaliadas estão ações coordenadas para estabilizar os preços e evitar um choque mais amplo nas economias.

Liberações de reservas estratégicas já tiveram resultados mistos no passado. Em 2022, por exemplo, anúncios iniciais de liberação chegaram a elevar os preços do petróleo no curto prazo, mas analistas afirmam que a medida ajudou a reduzir as cotações ao longo dos meses seguintes.

Um caso considerado bem-sucedido ocorreu em 1991, quando o então presidente dos EUA, George H. W. Bush, ordenou a liberação de petróleo da reserva estratégica americana durante a Guerra do Golfo, pouco antes do início da ofensiva militar contra o Iraque.

Na ocasião, os preços do petróleo caíram mais de 20% no primeiro dia da operação militar liderada pelos Estados Unidos.

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