IEA vai liberar 400 milhões de barris de petróleo após preços dispararem
Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia decidiram nesta quarta-feira, 11, liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas para o mercado internacional.
A medida foi aprovada por unanimidade e representa a maior liberação desse tipo já coordenada pela organização.
Segundo a agência, a decisão busca compensar a interrupção no fornecimento de petróleo provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
O anúncio foi feito pelo diretor-executivo da entidade, Fatih Birol, em comunicado em vídeo divulgado nesta quarta-feira.
“Os países da AIE disponibilizarão 400 milhões de barris de petróleo no mercado para compensar a interrupção no fornecimento causada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz”, afirmou.
Sexta liberação coordenada pela agência
Esta é a sexta vez que a Agência Internacional de Energia organiza uma liberação conjunta de reservas estratégicas entre seus países membros.
A iniciativa busca compensar a interrupção quase total do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica que conecta o Golfo Pérsico aos mercados globais.
Cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa diariamente pelo estreito. O transporte foi drasticamente reduzido após ameaças e ataques atribuídos ao Irã contra navios petroleiros que cruzam a região.
O cenário elevou a preocupação com um choque de oferta no mercado global de energia — exatamente o tipo de crise que levou à criação da IEA em 1974, após o embargo de petróleo imposto por países árabes.
A organização reúne economias ocidentais e aliados e coordena políticas de segurança energética, incluindo regras sobre reservas estratégicas de petróleo e liberações emergenciais para estabilizar o mercado.
Preço do petróleo disparou desde início da guerra
Desde 28 de fevereiro, quando Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, autorizou ataques contra o Irã em coordenação com Israel, o preço do petróleo chegou a subir até 40%, ultrapassando brevemente os US$ 100 por barril.
Nesta semana, as cotações recuaram para menos de US$ 84, acompanhando declarações de Trump sobre a duração do conflito. Mesmo assim, derivados como o diesel continuam registrando forte alta.
Segundo o WSJ, economistas alertam que um aumento prolongado do petróleo pode provocar pressão inflacionária, elevação dos custos de transporte e até correções nos mercados de ações.
Os países membros da IEA possuem atualmente cerca de 1,2 bilhão de barris em reservas públicas, além de aproximadamente 600 milhões de barris em estoques comerciais obrigatórios, segundo o diretor-executivo da agência, Fatih Birol.
Pelas estimativas da instituição, esse volume seria suficiente para compensar cerca de 124 dias de interrupção no fornecimento de petróleo do Golfo.
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