Imposto de Renda 2026: o contador pediu minha senha gov.br, e agora?

Por Rebecca Crepaldi 3 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Imposto de Renda 2026: o contador pediu minha senha gov.br, e agora?

Falta menos de um mês para acabar o prazo da declaração do Imposto de Renda (IR) 2026 e muitos contribuintes recorrem a contadores para evitar erros e cair na malha fina. Mas uma dúvida comum tem surgido: é seguro compartilhar a senha do gov.br com o profissional? Os especialistas respondem: não se deve passar a senha para ninguém.

A senha gov.br é pessoal e intransferível, ou seja, não deve ser compartilhada. Mesmo que o contribuinte opte por contratar um contador para realizar a declaração, não é necessário que ele tenha acesso ao gov.br para declarar. “O sistema da Receita Federal já foi pensado para que os contribuintes possam conceder acesso ao terceiro que transmitirá a sua declaração de forma rápida e segura”, diz Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.

Mas o contador não precisa de senha para nada?

Antonio Carlos Santos, presidente do Sescon-SP, explica que o contador precisa, sim, de alguns poderes para poder elaborar a declaração do IR, mas, novamente, ele não precisa da senha gov.br.

Para conceder essa autorização, o acesso liberado é exclusivo para a área do “Meu Imposto de Renda”, que contém as informações da declaração pré-preenchida, status de entrega das declarações anteriores e atual, detalhes da malha fina se ocorrer e, ainda, permite que o acesso previamente concedido seja excluído a qualquer momento.

Gularte complementa: “O contador (ou qualquer outro terceiro contratado para entrega do IRPF) só precisaria da senha do gov.br do contribuinte caso este não consiga fazer a concessão do acesso pelo aplicativo, aí o próprio contador pode acessar via login do contribuinte e gerar o acesso para ele próprio, avisando-o posteriormente para que ele realize a troca da senha do seu gov.br por uma nova e desconhecida.”

A Receita Federal disponibiliza um passo a passo simplificado de como conceder acesso ao terceiro.

Vale a pena contratar contador para fazer a declaração?

A resposta sobre contratar um contador é: depende. “Aquelas pessoas que têm inúmeras fontes de renda, muitas despesas dedutíveis e bens, podem precisar da ajuda de um especialista para realizar a declaração de forma a garantir que não caia na malha fina por erros, falhas ou inconsistências”, aponta Gularte.

Mas há também os contribuintes que têm apenas uma ou poucas fontes de renda, sem dependentes com renda e se sintam seguros quanto ao preenchimento das fichas do programa, ou saibam conferir as informações da pré-preenchida – estes podem conseguir realizar a entrega de forma autônoma sem grandes riscos.

E se minha senha gov.br vazar, o que eu faço?

A senha do gov.br deve ser tratada com o mesmo cuidado que qualquer outra credencial pessoal. A recomendação é adotar combinações fortes, difíceis de serem acessadas por terceiros, e fazer a troca periodicamente, afirma Santos.

Manter a mesma senha por muito tempo aumenta o risco de uso indevido, por isso o ideal é atualizá-la com frequência — a cada três ou seis meses — como forma de reforçar a segurança e reduzir a chance de acesso não autorizado.

Caso vaze, a primeira medida é alterar a senha imediatamente, garantindo que terceiros não tenham mais acesso. Em seguida, é importante verificar a situação fiscal e checar se há vínculo com alguma empresa desconhecida — um dos problemas mais graves que podem surgir.

Essa consulta pode ser feita no e-CAC, acessado via gov.br, na opção de pesquisa de empresas associadas ao CPF. Caso seja identificada alguma irregularidade, a orientação é registrar um Boletim de Ocorrência por estelionato ou falsidade ideológica, contestar a informação junto à Receita Federal, solicitar a baixa na Junta Comercial e buscar orientação jurídica para avaliar possíveis dívidas ou responsabilidades associadas.

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