Impulsionado pelo embate com STF, Zema dobra aposta e reage a Gilmar

Por André Martins 23 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Impulsionado pelo embate com STF, Zema dobra aposta e reage a Gilmar

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, intensificou o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) após críticas do ministro Gilmar Mendes e transformou o embate em ativo político digital.

Desde 20 de abril, o confronto gerou mais de 406 mil menções e 4,1 milhões de interações nas redes sociais, segundo levantamento da consultoria Bites.

Uma nova reação veio após entrevista de Gilmar à TV Globo na noite de quarta-feira, 22, na qual o ministro defendeu o inquérito das fake news e criticou a postura de Zema.

Em resposta, o pré-candidato elevou o tom e associou a atuação do STF ao que classificou como práticas autoritárias.

“Deixa eu te contar uma coisa: o problema não é você não entender as minhas palavras, eu até não me importo. O problema é se os brasileiros não entenderem os seus atos, é você recorrer ao autoritarismo para censurar aqueles que criticam o comportamento de ministros do Supremo”, afirmou.

Zema também ampliou o ataque ao campo institucional do tribunal.

“É você e os seus colegas terem perdido a noção do que separa o público do privado, o certo do errado, o bem do mal. É isso o que os brasileiros simples como eu não conseguem entender. É isso o que nós não vamos mais aceitar. Meu nome é Zema”, disse.

Na entrevista, Mendes disse que o mineiro "tenta sapatear" para aproveitar o momento eleitoral. "Todos nós que atuamos na vida pública temos que ter responsabilidade e não podemos fazer esse tipo de brincadeira", disse.

O embate com o STF tem se mostrado o principal motor de crescimento digital do político para o mineiro.

Nos últimos três dias, Zema liderou a repercussão nas redes na véspera do feriado de Tiradentes e no dia seguinte, aproximando-se de nomes como Lula e Flávio Bolsonaro, que partem de bases de seguidores mais amplas e consolidadas.

Os dados indicam que o conflito superou outros temas de interesse público no período. Menções ao chamado caso do banco Master, sem considerar o debate envolvendo Zema e Gilmar, somaram 239 mil citações e 3,2 milhões de interações.

A estratégia digital também se reflete no desempenho de conteúdos específicos. Os dois vídeos mais populares de Zema no episódio alcançaram 729 mil e 535 mil curtidas, respectivamente, com destaque para publicações em plataformas como Instagram e Facebook.

Notícia-crime e escalada de tensão com o STF

O episódio que intensificou o embate teve origem na decisão de Gilmar Mendes de encaminhar uma notícia-crime ao ministro Alexandre de Moraes, solicitando a investigação de Zema no âmbito do inquérito das fake news.

O pedido se baseia em um vídeo publicado pelo ex-governador, no qual ele critica decisão de Moraes que anulou medida da CPI do Crime Organizado sobre a quebra de sigilos de uma empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli.

Na avaliação de Gilmar, o conteúdo “vilipendia não apenas a honra e a imagem” do STF, mas também sua atuação individual, argumento que sustenta a provocação ao tribunal para análise do caso.

A tensão se ampliou após Zema defender mudanças estruturais na Corte. Ao apresentar diretrizes de seu plano de governo, o pré-candidato afirmou que pretende criar um novo STF, caso seja eleito, e chegou a pedir o impeachment de Gilmar em agenda na Câmara dos Deputados.

A reação do ex-governador incluiu a republicação do conteúdo questionado e novas críticas ao Judiciário.

O pano de fundo do episódio envolve o inquérito das fake news, investigação conduzida pelo STF para apurar ataques à Corte e disseminação de desinformação. O instrumento tem sido alvo recorrente de críticas de políticos da centro-direita, ao mesmo tempo em que ministros defendem sua continuidade como mecanismo de proteção institucional.

Confronto com STF vira eixo de crescimento político

O histórico recente reforça como o tema é central na comunicação do ex-governador. O vídeo em que afirma que “tentaram me calar” tornou-se o quarto com maior volume de interações no ano, atrás apenas de conteúdos críticos ao governo federal e de um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.

A análise das publicações mostra padrão consistente: dos 10 posts mais populares de Zema em 2025, sete têm como alvo o STF. Entre os 20 com maior alcance, 13 abordam diretamente o tribunal, evidenciando uma estratégia de polarização institucional como vetor de engajamento.

Esse movimento também se traduz em crescimento de base. Em dois dias, Zema ganhou 153 mil seguidores no Instagram, 53 mil no Facebook, 9,8 mil no TikTok, plataforma de vídeos curtos, e 10,4 mil no YouTube. No X, antigo Twitter, foram mais 10,9 mil novos seguidores.

O ritmo supera a média registrada ao longo do ano, de cerca de 11 mil novos seguidores por dia, indicando aceleração impulsionada por temas de confronto político e institucional.

Outro termômetro da tração apareceu fora das redes. Na Polymarket, plataforma de previsão, a probabilidade de vitória de Zema na eleição subiu de 3% de 7% nos últimos quatro dias. O movimento coincide com o pico de visibilidade após o embate com o STF.

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