Indefinição de 2º nome e dobradinha Haddad/Marina preocupam direita em SP
Desde 2015, os partidos de centro-direita ocupam todas as três cadeiras do Senado por São Paulo. Em 2026, com duas vagas em disputa, o campo conservador tenta repetir a hegemonia.
A aposta recai sobre o capital político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o peso do eleitorado bolsonarista no estado.
O plano, no entanto, enfrenta obstáculos com a saída de Eduardo Bolsonaro (PL) da disputa e a indefinição do segundo nome do grupo.
Integrantes da direita ouvidos pela EXAME afirmam que a pulverização de candidaturas pode comprometer a estratégia de manter as duas cadeiras sob controle conservador.
Atualmente, o único nome consolidado na direita é Guilherme Derrite (PP), deputado federal e ex-secretário da Segurança Pública de Tarcísio. Sua pré-candidatura tem apoio majoritário entre aliados.
A desistência de Eduardo Bolsonaro, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e envolvido em articulações com o governo Donald Trump por sanções contra o Brasil após a prisão de Jair Bolsonaro (PL), desorganizou o tabuleiro da direita em São Paulo. Ele não deve disputar a eleição e ainda não indicou substituto.
Entre os nomes especulados para compor a chapa estão Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente, e Gil Diniz (PL), deputado estadual.
Interlocutores do PL avaliam que mais de dois nomes ligados ao bolsonarismo podem dividir o eleitorado.
Marina e Haddad preocupam
Do outro lado, a possível formação de uma chapa entre Marina Silva (Rede) e Fernando Haddad (PT) é vista como ameaça concreta. O PT já ocupou duas vagas no Senado entre 2002 e 2014 e pretende retomar a maioria da bancada paulista.
A legenda considera a eleição ao Senado como crucial para viabilizar a governabilidade de um eventual governo Lula 4.
Marina Silva confirmou negociações com PT e PSOL para concorrer ao Senado e deve se desfiliar da Rede. Já Haddad, embora negue interesse, aguarda definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma possível disputa ao Senado. Na última quinta-feira, Lula declarou que o ministro da Fazenda “tem um papel a cumprir em São Paulo”.
Outro nome cotado é o de Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento. Apesar da projeção nacional, ela ainda não foi testada nas pesquisas estaduais.
Cenário eleitoral preocupa direita
As pesquisas recentes explicam a apreensão. Levantamento do instituto Futura, divulgado em janeiro, mostra vantagem da esquerda: Haddad lidera com 33,2% das intenções de voto, seguido por Marina Silva, com 30%.
Na direita, Derrite soma 19,9% e Ricardo Salles, 14,1%. Outros nomes da centro-direita, como Baleia Rossi (MDB) e Paulinho da Força (Solidariedade), aparecem com 12,1% e 10,4%, respectivamente.
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