Possível terceira vaga para o Senado embaralha xadrez eleitoral em SC

Por Rafael Martini 7 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Possível terceira vaga para o Senado embaralha xadrez eleitoral em SC

A política catarinense entrou em modo de atenção máxima. A possibilidade de retomada e conclusão, no proximo dia 10, do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do senador Jorge Seif, não colocou em suspense apenas o destino de um mandato como provocou novos cálculos e articulações  para as eleições de 2026 em Santa Catarina.

Em jogo, além das duas vagas regulares ao Senado, está a hipótese concreta de abertura de uma terceira cadeira, em caso de cassação, cenário que vem antecipando movimentos, alianças e disputas internas em praticamente todos os campos políticos do Estado.

A indefinição jurídica transformou o processo em uma peça central do jogo eleitoral. Partidos e lideranças passaram a operar com múltiplos cenários: manutenção do mandato, cassação com nova eleição suplementar e impactos diretos sobre as chapas majoritárias. Na prática, a disputa começou muito antes do calendário oficial.

O processo envolvendo Seif, por suposto abuso de poder econômico na campanha de 2022, passou a ser mais um fator a pesar na balança de pesos e contrapesos do cenário político catarinense. Mais do que um capítulo jurídico, tornou-se elemento condicionante de alianças, pré-candidaturas e estratégias eleitorais para 2026.

Nos bastidores, partidos trabalham com cenários paralelos. A incerteza ganhou peso adicional porque, além das duas cadeiras regulares de 2026, uma eventual cassação abriria uma terceira vaga em disputa, elevando drasticamente o interesse político.

O arrasto do processo ao longo de quase quatro anos transformou a decisão eleitoral em fator de instabilidade. Para o ex-governador Raimundo Colombo, hoje vice-presidente nacional do PSD, o risco é até mesmo institucional.

“Há interpretações jurídicas segundo as quais não pode existir vacância no Senado, justamente para preservar o funcionamento do sistema político. Quando decisões demoram tanto tempo, criam-se distorções que vão muito além de um mandato específico.

” Colombo foi derrotado por Seif por cerca de 40 mil votos na eleição de 2022, o que ajuda a explicar o acompanhamento atento do julgamento.

Bênção de Bolsonaro

Como pano de fundo da corrida ao Senado, dois nomes contam com o aval político do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado com maioria do eleitorado conservadora. O principal é seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro, que transferiu o domicílio eleitoral dara o Estado e aposta no peso simbólico do sobrenome entre os ekeitores.

Carlos deve anunciar até amanhã uma carta assinada pelo pai, reafirmando suas indicações. Mas apesar do viés conservador do Estado, a candidatura de Carlos Bolsonaro enfrenta resistências políticas e empresariais, por ser vista como imposição de um outsider. Por isso, a dobradinha com Caroline De Toni é considerada fundamental para dar musculatura eleitoral ao projeto.

A outra escolhida é a deputada federal Caroline De Toni, mesmo após ter se desfiliado recentemente do PL, descontente com os movimentos liderados pela direção nacional da legenda. De Toni mantém conversas avançadas com o Partido Novo e também segue com apoio do governador.

Nos bastidores, também começa a ganhar força uma aliança até ha alguns anos pouco improvável. que reuniria adversários históricos como: o PP, agora União Brasil, com o MDB, em uma chapa lqie seria liderada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), como candidato ao governo do Estado, profocando juma fissura na classe política e no eleitorado de direnta.

Um dos nomes aventados para compor como vice é o deputado estadual e empresário Antídio Lunelli (MDB).Nesse rearranjo, quem também se movimenta intensamente é o senador Esperidião Amin, que admite publicamente a possibilidade de integrar uma chapa ou outra, conforme a costura política.

Jorginho articula

No centro do tabuleiro está o governador Jorginho Mello, que vem avançando na consolidação de sua liderança nas pesquisas eleitorais. Em entrevista à EXAME, defendeu a união da direita como continuidade do modelo que, segundo ele, explica os bons indicadores do Estado:“Santa Catarina é um Estado que funciona. Lidera indicadores, entrega resultados e mantém estabilidade. Isso tem relação direta com as escolhas feitas pelo eleitor ao longo do tempo. É por isso que defendemos a união da direita.”

Ao comentar a composição da chapa, reforçou que a entrada do prefeito de Joinville Adriano Silva como vice não é um acordo de bastidor: “A entrada do Adriano na chapa não é um arranjo de bastidor, é um sinal claro de rumo. A política precisa falar menos entre si e ouvir mais quem decide.”

Apesar das críticas pela antecipação da chapa ainda em janeiro, Jorginho avançou politicamente, incluindo o apoio costurado com a bancada de sete deputados do União Brasil na Assembleia Legislativa.

Paradoxalmente, o favoritismo de Jorginho passou a ser visto por adversários como seu ponto vulnerável. O prefeito de Chapecó, João Rodrigues, articula uma frente alternativa pelo PSD apostando no desgaste da polarização.

Entre os principais articuladores está o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia. “O governador tem musculatura política e fez um bom governo, mas estamos trabalhando para construir uma alternativa mais ao centro, sem abrir mão dos valores e princípios dos catarineses. Se o João chegar ao segundo turno contra Jorginho, o jogo recomeça. A polarização ainda tem força, mas também já cansou muita gente em Santa Catarina.”

Oposição se movimenta

Quem acompanha de perto esses multi fatores é o PT. Em 2022, o atual presidente do Serae, Décio Lima, levou o partido ao segundo turno pela primeira vez no Estado.Nos bastidores, a aproximação com nomes de centro como Gelson Merisio — hoje filiado ao Solidariedade e integrante do conselho da JBS — é vista como tentativa de ampliar o campo oposicionista.

Ja o MDB, que recentemente anunciou o desembarque do governo estadual, adicionou mais uma variável ao cenário, ja que tradicionalmente deixam para anunciar coligações e candidatos aos 48 minutos doi segundo tempo.

O único consenso, por enquanto, talvez seja o de que muita água ainda vai passar debaixo da ponte Hercílio Luz ate setembro.

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