Inflação, confiança do consumidor e ausência do payroll: o que move os mercados

Por Clara Assunção 7 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Inflação, confiança do consumidor e ausência do payroll: o que move os mercados

Depois de um pregão marcado por forte volatilidade e aversão ao risco, os mercados encerram a semana nesta sexta-feira, 6, atentos a uma agenda econômica concentrada em indicadores de atividade, inflação e confiança — e ajustando expectativas após o adiamento do principal dado da semana nos Estados Unidos.

O relatório oficial de empregos (payroll), que originalmente seria divulgado hoje, foi postergado para quarta-feira, 11, em razão do shutdown de quatro dias ocorrido nesta semana, retirando do radar imediato um dos termômetros mais relevantes para a política monetária americana.

Sem o payroll, o foco dos investidores se desloca para outros dados capazes de influenciar a leitura sobre o ritmo da economia global e o comportamento dos juros, além de eventos pontuais no calendário corporativo.

O que acompanhar nesta sexta

A agenda começa ainda de madrugada, com a decisão de política monetária do Banco Central da Índia (RBI), às 1h30 (horário de Brasília). O anúncio é acompanhado de perto por investidores globais interessados nos sinais sobre crescimento e inflação em economias emergentes.

Na Europa, o destaque fica com a Alemanha, que divulga, às 4h, dados de balança comercial e produção industrial de dezembro, indicadores importantes para avaliar o desempenho da maior economia do bloco e a tração da atividade no fim de 2025.

No cenário doméstico, a agenda é carregada logo pela manhã. Às 8h, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de janeiro, indicador acompanhado de perto por analistas por sua sensibilidade aos preços no atacado, além do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar), que mede o comportamento dos contratos de aluguel no país.

Ainda no Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publica os Indicadores Industriais de dezembro, trazendo novos sinais sobre o nível de atividade, emprego e utilização da capacidade no setor.

Com a ausência do payroll nesta sexta, os holofotes nos Estados Unidos se voltam para os dados da Universidade de Michigan, divulgados ao meio-dia.

O mercado acompanha a prévia de fevereiro do índice de sentimento do consumidor e das expectativas de inflação, números que ajudam a calibrar a percepção das famílias sobre a economia e o comportamento futuro dos preços — informações relevantes para o Federal Reserve. (Fed, o banco central americano).

A expectativa inicial era de que o relatório de empregos de janeiro concentrasse as atenções do dia, especialmente após declarações recentes de dirigentes do Fed, como Christopher Waller, que têm citado a dinâmica do mercado de trabalho ao discutir possíveis cortes adicionais de juros. Com o adiamento do dado para a próxima semana, essa leitura fica em compasso de espera.

No calendário corporativo, não há divulgações relevantes no Brasil. No exterior, o destaque fica para o balanço da Toyota, que será divulgado após o fechamento dos mercados.

Mercado vem de sessão instável

Os ativos iniciam esta sexta após um pregão misto na véspera.

O Ibovespa conseguiu se recuperar parcialmente da forte queda do dia anterior, mas perdeu força perto do fim da sessão, encerrando com alta modesta de 0,23%, aos 182.127 pontos. O movimento refletiu um equilíbrio delicado entre a recuperação de ações bancárias — com destaque para o Itaú — e a pressão de pesos-pesados como Vale e Petrobras.

No exterior, o tom foi mais negativo. As bolsas de Nova York fecharam em forte queda, pressionadas por sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, pela continuidade da correção das ações de tecnologia e pelo recuo do mercado de criptoativos, elevando a volatilidade global.

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