Lembra dela? DeepSeek derrubou mercados há um ano — como está a empresa hoje?
Há pouco mais de um, no dia 27 de janeiro de 2025, ano a chinesa DeepSeek sacudiu o mercado global, e sobretudo ações de tecnologia ao lançar um assistente de inteligência artificial capaz de rivalizar com o ChatGPT, da americana OpenAI. O movimento foi suficiente para acender alertas em Wall Street, e o efeito foi imediato: gigantes de semicondutores perderam bilhões de dólares em valor de mercado num único pregão. A Broadcom caiu 17%, eliminando quase US$ 600 bilhões em valor de mercado. A Nvidia recuou na mesma magnitude, enquanto a ASML perdeu 7%.
Agora, o cenário é outro. As empresas não só se recuperaram como ampliaram sua liderança. A Nvidia se tornou, em outubro de 2025, a primeira companhia a atingir US$ 5 trilhões em valor de mercado. As ações da Broadcom acumulam alta superior a 40% em 2025, e a ASML avançou 36%.
E o que aconteceu com a DeepSeek afinal?
A companhia não ficou parada. Nesse intervalo, lançou sete atualizações de modelos, mas nenhuma delas provocou aquela mesma reação. Especialistas afirmam que a reprecificação de um ano ocorreu por mudar a crença sobre custos de desenvolvimento da tecnologia e a competitividade da China.
Fundada em 2023, a DeepSeek ganhou notoriedade no fim de 2024 ao lançar o modelo V3, gratuito e de código aberto. A empresa afirmou que o sistema foi treinado com chips menos potentes e a um custo muito inferior ao de rivais como OpenAI e Google. Semanas depois, em janeiro de 2025, veio o R1, um modelo de raciocínio que atingiu — e em alguns testes superou — parâmetros dos principais LLMs (modelos de linguagem) globais.
O lançamento pegou o mercado de surpresa. Afinal, a promessa de resultados semelhantes com menos poder computacional acendeu um alerta: se a eficiência aumentasse, a demanda por infraestrutura de IA poderia cair. Isso colocaria em risco as receitas de empresas como a Nvidia.
Esse cenário não se confirmou. “Não vimos desaceleração nos gastos em 2025”, disse Brian Colello, da Morningstar, à CNBC. Pelo contrário: ao olhar para a frente, o especialista projeta aceleração dos investimentos em IA 2026 — vide os anúncios feitos pelas big techs na atual temporada de balanços — e nos anos seguintes.
Outro ponto pesa na leitura do mercado. Desde janeiro, a DeepSeek apresentou apenas atualizações incrementais dos modelos V3 e R1 — não sistemas totalmente novos. Embora as melhorias representem ganhos relevantes de eficiência, foram vistas como continuidade, não ruptura. O susto virou referência histórica, não ameaça iminente.
Computação é o gargalo
Analistas apontam que a limitação de capacidade computacional explica a ausência de um novo grande lançamento, segundo Alex Platt, analista sênior da empresa de investimentos DA Davidson, à CNBC.
O lançamento do modelo R2, inicialmente previsto para maio, foi adiado após dificuldades no treinamento com chips da Huawei, segundo o Financial Times. Chris Miller, autor de Chip War, explicou ao canal americano que a China vem tendo acesso restrito à capacidade computacional avançada nos últimos anos.
Em artigo recente, a própria DeepSeek reconheceu “limitações” frente a modelos fechados líderes, como o Gemini 3, citando restrições de recursos computacionais.
Enquanto isso, os principais laboratórios ocidentais seguiram lançando modelos de ponta. Em agosto, a OpenAI apresentou o GPT-5. A Anthropic lançou o Claude Opus 4.5, e o Google colocou no mercado o Gemini 3 em novembro.
Ainda assim, o risco não desapareceu. Na virada do ano, a DeepSeek publicou um artigo descrevendo um método mais eficiente de desenvolvimento de modelos, sinalizando um possível salto tecnológico.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: