Inflação no Brasil e combo de dados dos EUA: o que move os mercados
Os mercados começam a quinta-feira, 12, atentos a uma agenda carregada de indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, além do noticiário geopolítico que continua dominando o humor dos investidores.
Entre inflação doméstica, dados do mercado de trabalho americano e números do setor imobiliário nos EUA, o dia reúne informações capazes de influenciar expectativas sobre atividade econômica e política monetária.
No Brasil, o principal destaque da agenda é a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, às 9h, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em janeiro, o indicador registrou alta de 0,33% no mês, acumulando 4,44% em 12 meses. O IPCA com ajuste sazonal também avançou 0,33% no período. O dado é acompanhado de perto por investidores por servir de referência para as decisões de política monetária no país, que acontecem na próxima semana.
Ainda no cenário doméstico, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que mede a percepção dos empresários sobre as condições atuais e as expectativas para a economia e para a indústria.
Nos Estados Unidos, a agenda também é intensa e começa às 9h30 (horário de Brasília) com a divulgação dos dados semanais de pedidos de seguro-desemprego pelo Department of Labor. Na última leitura, os pedidos contínuos somaram 1,868 milhão, enquanto os pedidos iniciais — que medem quantas pessoas solicitaram o benefício pela primeira vez — ficaram em 213 mil.
No mesmo horário, saem diversos indicadores relevantes da economia americana. O Census Bureau divulga a prévia da balança comercial de bens de janeiro. Na leitura anterior, o déficit foi de US$ 98,5 bilhões, acima da projeção de US$ 86 bilhões.
Também será divulgado o resultado da balança comercial total, pelo Bureau of Economic Analysis, que havia registrado déficit de US$ 70,3 bilhões na última divulgação, acima da estimativa de mercado de US$ 55,5 bilhões.
Outro conjunto de dados acompanhados pelos investidores é o do setor imobiliário. O Census Bureau publica os números de licenças de construção e de início de novas moradias nos Estados Unidos. Em dezembro, foram emitidas 1,455 milhão de autorizações para novos projetos de construção, enquanto o início de novas casas somou 1,404 milhão de unidades, com alta de 6,2%.
Já no fim do dia, às 17h30, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) divulga seu balanço patrimonial, que na última leitura somava US$ 6,629 trilhões.
Balanços e Irã no radar
Além da agenda macroeconômica, investidores também acompanham a temporada de balanços corporativos. No Brasil, estão previstos resultados de empresas como Energisa e Hypera nesta quinta-feira, além de números de companhias como CSN, Magazine Luiza e Ânima.
Nos Estados Unidos, o mercado aguarda balanços de empresas como Wheaton Precious Metals, BMW e Adobe.
No campo político e geopolítico, o foco segue voltado para a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que entra em seu 13º dia.
A ofensiva militar dos EUA e de Israel ampliou a pressão sobre o país persa, com ataques a milhares de alvos e operações no Estreito de Ormuz. Israel também manteve bombardeios contra posições ligadas ao Irã no Líbano, incluindo um ataque que atingiu um prédio residencial em Beirute.
O Irã, por sua vez, respondeu com ataques contra Israel e alvos no Oriente Médio, além de ameaçar a infraestrutura energética e navios comerciais na região. A escalada do conflito mantém o mercado atento, sobretudo pelos impactos potenciais sobre a oferta global de petróleo e sobre o comércio internacional.
As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o possível fim da guerra também geraram ruído no cenário político.
Trump afirmou que o conflito pode estar próximo do fim, mas suas declarações contrastam com avaliações de membros do próprio governo americano e com a visão de autoridades israelenses, que indicam não ver um encerramento próximo das hostilidades.
Na sessão anterior, o cenário geopolítico já influenciou os mercados. O Ibovespa oscilou ao longo do pregão de quarta-feira, 11, mas terminou em leve alta de 0,28%, aos 183.969 pontos, com giro financeiro de R$ 25,9 bilhões. A valorização foi puxada principalmente pelas ações da Petrobras, beneficiadas pela disparada dos preços do petróleo diante da tensão no Oriente Médio.
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou praticamente estável frente ao real, com leve alta de 0,03%, cotado a R$ 5,1593. .
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