Inflação no Brasil e nos EUA, discursos do Fed e balanços: o que move os mercados

Por Caroline Oliveira 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Inflação no Brasil e nos EUA, discursos do Fed e balanços: o que move os mercados

Os mercados globais acompanham nesta terça-feira, 12 de maio, uma agenda carregada de indicadores de inflação e atividade econômica, com destaque para o IPCA no Brasil e o índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos.

Investidores também monitoram dados industriais na Europa e na Ásia, além de discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central Europeu (BCE).

O que acompanhar no Brasil

No Brasil, o destaque é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, principal indicador de inflação do país, divulgado às 9h pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A expectativa é de alta de 0,70% no mês, desacelerando em relação aos 0,88% registrados anteriormente. No acumulado de 12 meses, a projeção é de 4,41%, acima dos 4,14% da leitura anterior.

Também às 9h, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de março. A expectativa é de avanço de 0,2%, dado acompanhado pelo mercado como termômetro da resiliência do consumo no país.

No mesmo dia, o Banco Central publica o fluxo cambial semanal, indicador monitorado de perto por investidores em momentos de maior volatilidade no câmbio.

Às 16h30, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados realiza audiência pública para discutir os impactos econômicos da proposta que reduz a carga horária semanal de 44 para 36 horas.

A sessão contará com a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan. O debate está ligado à PEC 221/19, que também prevê o fim da escala 6×1.

Agenda dos EUA

Nos Estados Unidos, o foco estará no índice de preços ao consumidor (IPC), divulgado às 9h30. O mercado projeta inflação mensal de 0,6% em abril, ante 0,9% no mês anterior, enquanto a taxa anual deve avançar para 3,7%, de 3,3%.

O núcleo do IPC, que exclui alimentos e energia, tem expectativa de alta anual de 2,7%, levemente acima dos 2,6% registrados anteriormente.

Antes disso, às 4h15, o mercado acompanha o discurso de John Williams, membro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês). Às 7h00, será divulgado o índice de otimismo das pequenas empresas da NFIB, projetado em 96,0, acima dos 95,8 da leitura anterior.

Já às 9h15, será divulgada a variação semanal de empregos da ADP, indicador acompanhado como sinal preliminar do mercado de trabalho norte-americano. Na leitura anterior, foram registrados 39,3 mil postos abertos.

Na parte da tarde, às 13h00, serão publicados o relatório WASDE, do Departamento de Agricultura dos EUA, que traz estimativas globais de oferta e demanda agrícola, e a Perspectiva Energética de Curto Prazo da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês).

Às 14h, investidores acompanham o leilão de Treasury Notes de 10 anos e o discurso de Austan Goolsbee, dirigente do Fed. O balanço orçamentário federal de abril será divulgado às 15h, com expectativa de superávit de US$ 37,5 bilhões, após déficit de US$ 164 bilhões na leitura anterior.

O dia termina às 17h30, com os estoques semanais de petróleo bruto divulgados pelo American Petroleum Institute (API), após queda de 8,1 milhões de barris na semana anterior.

O que ficar de olho na Europa e na Ásia

Na Europa, a Alemanha divulga às 3h os números finais de inflação de abril. A expectativa é de manutenção mensal de 0,6% e anual de 2,9%. O índice harmonizado de preços ao consumidor deve registrar 0,5% no mês e 2,9% em 12 meses, sem mudanças em relação aos dados anteriores.

Às 6h saem os índices ZEW de percepção econômica e de condições atuais da Alemanha e da Zona do Euro. A expectativa para a percepção econômica alemã é de -19,1 pontos em maio, ante -17,2 na leitura anterior. Já o índice de condições atuais deve recuar para -77,5, frente aos -73,7 registrados anteriormente.

Na Zona do Euro, a projeção para a percepção econômica é de -21,6, abaixo dos -20,4 do mês anterior.

Na Itália, a produção industrial de março será divulgada às 5h00, com expectativa de alta mensal de 0,2%, após avanço de 0,1% na leitura anterior. Na comparação anual, o último dado foi de 0,5%.

Representante do BCE, Frank Elderson, discursará às 7h40.

Na Ásia, o Japão divulga às 2h os índices antecedentes e coincidentes de março. O índice de indicadores antecedentes deve subir para 114,4 pontos, ante 113,3 na leitura anterior, enquanto o indicador coincidente mensal teve queda de 1,8% anteriormente.

Mais tarde, às 20h50, o país publica os dados de transações correntes e empréstimos bancários. A projeção para o saldo em transações correntes ajustadas é de 2,94 trilhões de ienes, após 270,9 trilhões na leitura anterior.

Já o saldo sem ajuste sazonal deve ficar em 3,879 trilhões de ienes, abaixo dos 3,933 trilhões registrados anteriormente. Os empréstimos bancários devem avançar 4,6% em abril, desacelerando frente aos 4,8% do mês anterior.

Balanços corportativos

Amanhã, o calendário corporativo traz uma bateria de balanços relevantes no Brasil e no exterior, que podem influenciar o humor dos mercados.

No Brasil, antes da abertura a Braskem divulga seus resultados financeiros do primeiro trimestre do ano. Cury, Desktop, Bemobi, Viveo, JBS, Dasa e Helbor também publicam números após o fechamento.

No exterior, Sea Limited, Franco-Nevada, JD.com, Vodafone, Qnity Electronics, Venture Global e Ecopetrol também apresentam resultados ao longo do dia.

Oriente Médio: cessar-fogo entre EUA e Irã em crise

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo com o Irã atravessa seu momento mais delicado desde o início da trégua, após Teerã enviar uma contraproposta considerada “totalmente inaceitável” pela Casa Branca.

Segundo Trump, o acordo iniciado em abril segue “incrivelmente frágil” e enfrenta sucessivos episódios de instabilidade, incluindo trocas de ataques no Estreito de Ormuz e ofensivas iranianas contra os Emirados Árabes Unidos.

O presidente também voltou a condicionar a continuidade do entendimento à reabertura completa da rota estratégica para o transporte global de petróleo. Mesmo após a retomada parcial do fluxo marítimo, a circulação na região segue abaixo dos níveis anteriores ao conflito.

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