Inglaterra quer IA como tutora em escolas, mas quase metade dos professores são contra
Professores da Inglaterra alegam que estudantes entre o ensino fundamental e o médio estão perdendo capacidade cognitiva devido ao abuso de inteligência artificial. Um estudo realizado pelo sindicato do Reino Unido National Education Union (NEU) apontou que dois terços dos 9 mil professores questionados confirmaram que há um declínio na qualidade do aprendizado. De acordo com a pesquisa, as crianças são mais afetadas.
Uma das razões para o afastamento do interesse de mais jovens é o uso da tecnologia que transforma áudio em texto; professores apontaram que a ferramenta substituiu o aprendizado de fala para muitos. "As crianças já não sentem necessidade de soletrar, pois a função de voz para texto substitui o conhecimento", comentou um profissional, que optou por permanecer anônimo, ao NEU.
"Os alunos precisam ser capazes de pensar por si mesmos. Isso está no coração do aprendizado, mas nossa pesquisa mostra que a dependência da IA está afetando a capacidade dos estudantes de pensar criticamente", comentou Daniel Kebede, secretário geral do sindicato. O governo tem tentado implementar a adoção geral de ferramentas de IA nas escolas, mudança que atingiria até 450 mil estudantes que enfrentam dificuldades no ensino.
Professores se opõem à IA para alunos, mas admitem uso diário
A mesma pesquisa questionou o posicionamento dos professores sobre a mudança que o governo quer implementar, que consiste no uso de tutores de IA na rotina estudantil. Dos entrevistados, 49% foram contra, enquanto 14% demonstraram concordar que a ferramenta pode ser vantajosa. "“Alunos em situação de vulnerabilidade precisam de interação humana para o ensino, em vez de inteligência artificial, para que suas habilidades sociais possam ser aprimoradas e o isolamento social reduzido", comentou um profissional que não foi identificado.
Do outro lado da mesa, porém, os professores estão cada vez mais acostumados a utilizar IA. No ano passado, 53% afirmaram que fazem uso da ferramenta para planejar aulas, por exemplo; a porcentagem aumentou para 76% na pesquisa do ano atual. Apesar do encorajamento ao uso da tecnologia, 49% das escolas analisadas no Reino Unido ainda não adotaram regulamentações ou medidas para IA, fator que tem preocupado corpos docentes.
A secretária de educação Bridget Phillipson reforçou, em janeiro deste ano, que o projeto para acelerar o desenvolvimento de 450 mil crianças em condição de vulnerabilidade precisa de IA como ponto transformador. De acordo com ela, os tutores virtuais passariam de um "privilégio de poucos afortunados" para ser "acessível a todas as crianças que precisam dele".
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