Ingressos chegam a R$ 5 milhões na final da NBA; 'preço dinâmico' pode chegar ao Brasil
O New York Knicks iniciou a venda de ingressos para as finais da NBA após conquistar a Conferência Leste sobre o Cleveland Cavaliers na última segunda-feira. O preço das entradas, entretanto, tem surpreendido, uma vez que torcedores poderiam pagar 1 milhão de dólares, cerca de R$ 5 milhões na cotação atual, por dois ingressos. O mais barato, por sua vez, custa pouco mais de 3 mil dólares.
Um dos fatores que ajuda a explicar os valores praticados na NBA é o sistema de preço dinâmico. Na prática, o valor das entradas varia de acordo com a demanda, podendo sofrer alterações para cima, conforme a alta procura, ou para baixo, em caso de baixa demanda. O modelo é amplamente utilizado nos esportes norte-americanos, incluindo eventos como o Super Bowl e a Copa do Mundo.
No mercado brasileiro, entretanto, o sistema ainda não é utilizado, por exemplo, no futebol. O que os clubes geralmente costumam fazer é a precificação dos ingressos conforme o peso do jogo, além da estratificação dos valores de acordo com os setores, mas sem mudanças em tempo real conforme a demanda.
Dentro de um futuro mais distante, porém, a realidade pode ser diferente. A análise é de Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataforma de gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor.
“A adoção do preço dinâmico na venda de ingressos é cada vez mais uma tendência em outros mercados e vai chegar ao futebol brasileiro — é uma questão de ‘quando’, não de ‘se’. Na FutebolCard, queremos ser quem quebra esse paradigma. Antes de tudo, porém, é necessário reorganizar a indústria: liberar o mercado secundário e atacar o cambismo”, avalia.
Ainda segundo o executivo, o mercado secundário, a partir desta reorganização, não necessariamente seria sinônimo de valores inflacionados: “Existe um mito de que o preço dinâmico e o mercado secundário só servem para encarecer ingresso, mas muitas vezes pode ser o contrário. A precificação dinâmica pode ajudar a corrigir os casos em que o clube erra no preço e o estádio não atinge o público esperado. Já o mercado secundário resolve outro problema: o assento que fica vazio quando os ingressos esgotam e ainda há demanda, ou quando a pessoa comprou e não consegue mais ir”.
“Em 20 anos de FutebolCard, vemos que, em média, 5% dos lugares de uma partida ficam vazios — assentos que poderiam voltar à torcida. Nesse caso, todo mundo ganha, do vendedor de pipoca ao clube. São avanços que dependem também de tecnologia, como a tokenização e o blockchain, que garantem que aquele ingresso é de fato meu e que posso transferi-lo com segurança para outra pessoa”, complementa Robson Carlo.
Na legislação brasileira, também podem existir entraves para uma eventual aplicação dos preços dinâmicos. Isso porque o Código de Defesa do Consumidor (CDC) do Brasil tem artigos que coíbem abusos que possam vir a partir desse sistema, como o impedimento de que pessoas peguem preços diferentes pelos mesmos produtos ou serviços oferecidos nas mesmas condições.
Elevação do preço dos ingressos na Copa do Mundo
Para se ter uma ideia dos preços na Copa do Mundo, o sistema dinâmico de precificação tem resultado em altos valores, com entradas que já viram o valor triplicar e ultrapassar a casa dos R$ 161 mil para a final. Somente para a primeira fase, as entradas estão cotadas entre US$ 353 e US$ 706 no site da FIFA (o valor equivale de R$ 1.961 a R$ 3.926). O jogo entre Espanha e Uruguai também exemplifica a alta dos ingressos conforme a demanda, com as entradas mais baratas já tendo registrado um salto de R$ 600 para R$ 1.575, de acordo com reportagem do Jornal Nacional.
Anteriormente, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a adaptação dos preços dos ingressos ao mercado norte-americano: “Temos que analisar. Estamos em um país onde o entretenimento é o mais desenvolvido do mundo, então precisamos aplicar preços compatíveis. Nos EUA, a revenda de ingressos também é permitida, então, se você vendê-los a um preço muito baixo, serão renegociados a um preço muito mais alto. E, na verdade, mesmo que algumas pessoas digam que nossos preços são altos, elas acabam no mercado de revenda por um preço ainda maior, mais que o dobro do nosso”, disse o cartola. Ainda segundo a entidade máxima do futebol mundial, 90% da arrecadação da Copa é reinvestida no desenvolvimento do esporte pelo mundo.
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