IPO bilionário da SpaceX pode sufocar mercado
O plano do homem mais rico do mundo Elon Musk de abrir o capital da SpaceX em junho e levantar cerca de US$ 50 bilhões pode pressionar o mercado de ofertas públicas iniciais (IPO). Pelo porte da operação, a captação tem potencial de absorver parte relevante da liquidez disponível, reduzindo o espaço para empresas menores que planejam acessar as bolsas no mesmo período.
A estreia da fabricante de foguetes e satélites tem potencial, ainda, de abrir caminho para novas levas de "megacaptações", como as gigantes de inteligência artificial (IA) Anthropic e OpenAI. Elas já planejam há algum tempo negociar ações em pregões, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.
Os valuations dessas instituições devem superar a maioria das ofertas recentes, com potencial de alcançar mais do que 95% das empresas que integram o índice S&P 500, informou a agência. O valor de mercado estimado para a SpaceX é de US$ 1,5 trilhão, para a OpenAI, US$ 850 bilhões e para a Anthropic, US$ 350 bilhões.
IPOs tecnológicos podem drenar atenção
O chefe global de mercados de capitais de renda variável da gestora EQT AB, Magnus Tornling, disse à Bloomberg que existe o risco de grandes gestores de ativos não darem atenção a ofertas menores se estas forem lançadas muito próximas a IPOs tecnológicos de grande impacto.
Tornling ressaltou que a EQT buscará acelerar o cronograma de IPOs de suas empresas de portfólio para pelo menos um mês e meio antes de um megaevento como o da SpaceX, para evitar a disputa por atenção. A EQT está se preparando para listar empresas como Reworld e First Studente em 2026.
Além disso, o sócio especializado em mercados de capitais do escritório de advocacia Baker McKenzie em Nova York, Per Chilstrom, afirmou à agência que o debate tem sido contínuo sobre como esses grandes IPOs impactarão, de fato, o cronograma de outros candidatos por causa da distribuição do capital.
Investidores de longo prazo, como fundos mútuos e de pensão, podem ter pouca escolha a não ser adquirir o máximo de ações possível nessas megaofertas para garantir que seus retornos não fiquem atrás do mercado, acrescentam especialistas em conversas com a agência de notícias.
Efeitos colaterais e sinais de recuperação
Este cenário pode, inclusive, gerar "efeitos colaterais" em outras empresas com capital já aberto, segundo o chefe de assessoria de ações americanas na Houlihan Lokey Inc., Dan Klausner, o qual explicou que os gestores de portfólio podem precisar reduzir suas posições atuais para abrir espaço para novas ações.
"Quando investidores institucionais e individuais analisarem suas carteiras de ações, surgirá a pergunta: por que você não possui essas ações?", afirmou à Bloomberg. "(Os fundos) precisariam potencialmente vender algumas de suas ações vencedoras, o que poderia causar alguns efeitos indiretos."
O mercado de IPOs, em contrapartida, vem demonstrando sinais de recuperação após um período de retração, levantando US$ 170 bilhões em 2025.
O co-chefe de mercados de capitais de renda variável para as Américas do Bank of America Corp., Matt Warren, sugere, neste sentido, que a liquidez pode se ajustar em oportunidades corretas. Ele e outros especialistas ouvidos pela agência ponderam sobre as consequências em torno do IPO.
Há também a possibilidade de um "efeito positivo em cascata", na visão dos analistas. Caso do chefe global de mercados de capitais de renda variável do Deutsche Bank AG, Stephane Gruffat. Para ele, se os grandes negócios tiverem um desempenho positivo, eles podem atrair investidores de forma ampla.
"Vários IPOs são tipicamente de empresas de média capitalização, e os fundos mútuos de grande capitalização geralmente não têm a oportunidade de participar deles", disse à Bloomberg. "Mas quando você tem IPOs de grande capitalização que funcionam bem, o sentimento positivo realmente se espalha."
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