Irã alerta para retomada de conflito com EUA após críticas de Trump
Um comandante militar iraniano afirmou neste sábado, 2 que é “provável” a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, após o presidente americano, Donald Trump, demonstrar insatisfação com a mais recente proposta de Teerã para encerrar o conflito.
As duas partes mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, depois de quase 40 dias de bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguidos por represálias iranianas contra monarquias do Golfo aliadas de Washington.
Uma primeira rodada de negociações diretas foi realizada em 11 de abril, em Islamabad, no Paquistão, mas terminou sem avanços. As divergências permanecem profundas, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz — onde o Irã pretende cobrar pela passagem de navios — e ao programa nuclear iraniano.
Nesta semana, Teerã enviou uma nova proposta por meio do Paquistão, que atua como mediador, mas não revelou detalhes do conteúdo. Ainda assim, Trump rejeitou rapidamente a iniciativa.
“Não estou satisfeito com o que ofereceram”, disse o presidente americano na sexta-feira, atribuindo o impasse à “tremenda discórdia” dentro da liderança iraniana.
Ao ser questionado sobre os próximos passos, Trump afirmou: “Queremos ir lá e simplesmente arrasá-los e acabar com eles para sempre, ou queremos tentar alcançar um acordo? Essas são as opções.”
Em resposta, Mohamad Jafar Asadi, inspetor-adjunto do comando militar central Jatam al Anbiya, declarou que “é provável que o conflito com os Estados Unidos seja retomado”, acrescentando que Washington “não respeita promessas nem acordos”.
Segundo ele, as forças armadas iranianas estão preparadas para responder a qualquer ação dos Estados Unidos.
Presença militar e impactos globais
Apesar de Trump ter informado ao Congresso que as operações militares contra o Irã haviam “terminado”, parlamentares democratas questionam essa avaliação, citando a permanência de forças americanas na região.
Embora o porta-aviões USS Gerald Ford tenha deixado o Oriente Médio, cerca de 20 navios da Marinha dos EUA seguem posicionados, incluindo outros dois porta-aviões.
A guerra deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e continua a impactar a economia global. Nesta semana, o preço do petróleo atingiu o maior nível em quatro anos, com o barril de Brent chegando a 126 dólares.
Israel mantém ataques no Líbano contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, enquanto os Estados Unidos seguem com um bloqueio naval aos portos iranianos. A medida ocorre em resposta à restrição imposta por Teerã no Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra passavam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito consumidos globalmente.
Além disso, Washington anunciou novas sanções e alertou que qualquer pagamento ao Irã para atravessar o estreito poderá resultar em penalidades.
O conflito também gera efeitos políticos e sociais dentro do Irã. Apesar da trégua permitir alguma retomada da rotina, a população enfrenta inflação elevada e desemprego crescente, agravados por décadas de sanções internacionais.
Relatos indicam aumento da repressão interna. Neste sábado, a Justiça iraniana anunciou a execução de dois homens acusados de espionagem para Israel.
Para analistas, o país vive um momento de forte coesão interna diante de uma “batalha existencial”. Ainda assim, o clima é de incerteza.
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