Irã ameaça ampliar guerra para além do Oriente Médio após Trump cogitar novos ataques
O Irã ameaçou nesta quarta-feira, 20, ampliar o conflito para além do Oriente Médio caso os Estados Unidos retomem ataques militares contra o país, elevando novamente a tensão em uma guerra que já provocou a maior disrupção energética global das últimas décadas.
A escalada verbal ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que esteve “a uma hora” de autorizar uma nova campanha de bombardeios contra o Irã, mas decidiu adiar a ofensiva para abrir espaço à diplomacia.
“Se a agressão contra o Irã se repetir, a guerra regional prometida se expandirá além da região desta vez”, afirmaram as Guardas Revolucionárias iranianas em comunicado divulgado pela imprensa estatal.
Segundo a Reuters, o impasse mantém os mercados de petróleo sob pressão e amplia a incerteza sobre o futuro do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa uma parcela significativa do abastecimento global de energia.
Desde o início da campanha militar entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro, Teerã restringiu fortemente o tráfego no Estreito de Ormuz, permitindo principalmente a passagem de embarcações alinhadas às suas condições.
A interrupção parcial da rota provocou um choque sem precedentes nas cadeias globais de energia. Cerca de 45% das importações chinesas de petróleo e gás passam pela região.
Nesta quarta-feira, dois superpetroleiros chineses carregando aproximadamente 4 milhões de barris de petróleo conseguiram deixar o estreito após acordo recente entre Pequim e Teerã para flexibilização das regras de navegação para embarcações chinesas.
A Coreia do Sul também confirmou que um navio-tanque sul-coreano atravessava a região em coordenação com autoridades iranianas.
Mesmo com uma leve recuperação no fluxo marítimo nas últimas semanas, o volume ainda permanece muito abaixo do padrão anterior à guerra.
Trump alterna entre ameaça militar e discurso diplomático
A política americana em relação ao conflito continua marcada por sinais contraditórios vindos da Casa Branca.
Na terça-feira, Trump afirmou que esteve muito próximo de reiniciar os bombardeios contra o Irã, mas também declarou que as negociações avançam positivamente e que um acordo poderia ser alcançado “muito rapidamente”.
O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação americana nas negociações realizadas no mês passado no Paquistão, também indicou progresso diplomático.
As mudanças frequentes de tom têm provocado forte volatilidade no mercado de petróleo. O Brent, referência internacional da commodity, voltou a oscilar nesta semana e permanece em tendência de alta, negociado próximo de US$ 108 por barril.
Segundo analistas, investidores tentam avaliar se Washington e Teerã conseguirão encontrar um ponto de equilíbrio antes de uma nova escalada militar.
Irã mantém exigências consideradas 'inaceitáveis' pelos EUA
Teerã apresentou nesta semana uma nova proposta aos Estados Unidos, mas os termos divulgados publicamente repetem condições já rejeitadas por Washington.
Entre as exigências iranianas estão:
O governo americano considera as demandas incompatíveis com um acordo de paz viável.
Guerra continua pressionando aliados dos EUA no Golfo
Apesar do cessar-fogo firmado em abril ainda se manter em grande parte, novos episódios de tensão continuam sendo registrados no Golfo.
Nesta semana, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos relataram novos ataques com drones lançados a partir do Iraque, onde operam milícias alinhadas ao Irã. A Jordânia também informou ter interceptado um drone nesta quarta-feira.
O conflito já deixou milhares de mortos no Irã e no Líbano, além de provocar deslocamentos em massa na região desde o início da ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel.
Um dos principais objetivos declarados por Washington e Israel ao iniciar a campanha militar era enfraquecer o programa nuclear iraniano e reduzir a influência regional de Teerã.
Até agora, porém, o Irã mantém estoques de urânio enriquecido próximos do nível necessário para armamento nuclear, além de preservar parte relevante de sua capacidade de ataque com drones, mísseis e milícias aliadas.
O regime iraniano também não enfrenta, até o momento, sinais concretos de desestabilização interna após os protestos registrados no início do ano.
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