Irã ameaça bloquear Mar Vermelho após os EUA impedirem uso de portos do país

Por Mateus Omena 15 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Irã ameaça bloquear Mar Vermelho após os EUA impedirem uso de portos do país

As Forças Armadas do Irã declararam nesta quarta-feira, 15, que podem iniciar um bloqueio naval no Mar Vermelho caso os Estados Unidos avancem com medidas para restringir o tráfego de embarcações ligadas ao país no Estreito de Ormuz.

A sinalização ocorreu poucas horas após o Comando Central dos Estados Unidos, o Centcom, anunciar a "plena aplicação" de um bloqueio marítimo. O governo iraniano classificou a ação como violação de um cessar-fogo de duas semanas, firmado para viabilizar negociações diplomáticas com mediação do Paquistão.

“As poderosas Forças Armadas da República Islâmica [do Irã] não permitirão qualquer exportação ou importação no Golfo Pérsico, no Mar de Omã ou no Mar Vermelho”, afirmou o general Ali Abdollahi em comunicado divulgado pela TV estatal.

O militar também acusou o governo de Donald Trump de "criar insegurança para os navios comerciais do Irã e para os petroleiros", descrevendo o movimento como um "prelúdio" de ruptura do acordo em vigor desde 8 de abril.

Sem acesso direto ao Mar Vermelho, o Irã dependeria de aliados regionais para executar a ameaça. Entre os principais atores está o grupo Houthi, do Iêmen, integrante do chamado Eixo da Resistência. O grupo controla áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, ponto estratégico que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e por onde transita cerca de 12% do comércio marítimo global.

Os Houthi acumulam histórico recente de operações militares na região. Desde o início da guerra entre Israel e Hamas, em 7 de outubro de 2023, o grupo realizou ataques de longa distância contra Israel e conduziu ações que afetaram rotas marítimas no Mar Vermelho e no Canal de Suez, com uso de drones, projéteis e embarcações leves.

Uma eventual interrupção no Mar Vermelho ampliaria os impactos já observados no Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural antes do atual conflito. A instabilidade na região contribuiu para a elevação dos preços internacionais do petróleo, em um movimento descrito como novo choque da commodity.

Bloqueio naval dos EUA

Após uma rodada de negociações considerada inconclusiva em Islamabad, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou restrições a embarcações que tentassem acessar o Estreito de Ormuz. A medida foi apresentada como instrumento de pressão econômica contra o Irã e também com impacto indireto sobre a China, importadora relevante de petróleo da região.

During the first 48 hours of the U.S. blockade on ships entering and exiting Iranian ports, no vessels have made it past U.S. forces. Additionally, 9 vessels have complied with direction from U.S. forces to turn around and return toward an Iranian port or coastal area. pic.twitter.com/h4msgvaPTl

— U.S. Central Command (@CENTCOM) April 15, 2026

Em publicação nas redes sociais, o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, declarou que o bloqueio foi "totalmente implementado". Segundo ele, a ação teria afetado a maior parte das atividades econômicas iranianas em curto prazo.

"Estima-se que 90% da economia do Irã seja impulsionada pelo comércio internacional por via marítima. Em menos de 36 horas desde a implementação do bloqueio, as forças dos EUA interromperam completamente todo o comércio econômico que entra e sai do Irã por mar", afirmou Cooper.

A operação envolve mais de 10 navios de guerra, além de contingente militar ampliado na região, incluindo forças especiais e fuzileiros navais — a maior mobilização desde a invasão do Iraque, em 2003.

O ex-capitão da Marinha dos EUA Carl Schuster afirmou, em entrevista à emissora americana CNN, que o bloqueio não depende de barreiras físicas diretas. Segundo ele, os recursos militares permitem monitorar, perseguir e interceptar embarcações mesmo fora do estreito.

Apesar disso, dados de rastreamento marítimo indicam que o tráfego não foi totalmente interrompido. Registros de terça-feira mostram navios deixando portos iranianos e cruzando o Estreito de Ormuz. Em nova publicação, o Centcom afirmou que nenhuma embarcação conseguiu completar o trajeto nas primeiras 48 horas de bloqueio e que nove navios receberam ordens para retornar.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: